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Um comprimido diário para evitar o HIV

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Os EUA aprovaram a medicação preventiva do vírus da sida, mas a decisão não é consensual. 

Alexandre Costa (www.expresso.pt)

Apesar do uso do Truvada - em casais em que um dos elementos é seropositivo - ter-se revelado eficaz a evitar o contágio em cerca de 75% dos casos, a aprovação da medicação pelas entidades reguladoras norte-americanas é alvo de algumas críticas, nomeadamente por poder fomentar comportamentos de risco ao criar uma falsa ideia de segurança.

A fundação norte-americana para os tratamentos de pessoas com sida considera a decisão precipitada. "Completamente descuidada e no limite poderá fazer-nos recuar anos nos esforços para a prevenção do HIV", refere o presidente da fundação, Michael Weinstein.

A fundação refere a existência de dados que indicam que o medicamento Truvada poderá ser prejudicial para os rins e que o seu uso deveria ser antecedido de testes, de modo a evitar-se que seja tomado por quem já esteja infetado. Caso contrário, facilmente contribuirá para que o vírus se torne resistente à substância.

Anteriores testes, efetuados em casais homossexuais masculinos em que um dos elementos é seropositivo, revelaram indicies de eficácia inferiores (entre os 44 e os 73%), o que estará relacionado com o facto de muitos dos envolvidos não terem tomado a medicação de forma consistente.

Preços incomportáveis

Para ser eficaz, o Truvada deve ser tomado diariamente, o que será financeiramente incomportável para a maior parte dos norte-americanos sem um seguro de saúde, uma vez que representaria uma despesa anual de cerca de 11,5 mil euros.

O Truvada é fabricado na Califórnia pela Gilead Sciences. Contudo, a farmacêutica vende o medicamento para países em desenvolvimento, nomeadamente do continente africano, a preços radicalmente mais baixos (levando a que o custo da sua toma diária se situe nos 82 euros por ano)

Michael Barton, do programa das Nações Unidas para o HIV/sida, reconhece o potencial do medicamento mas considera que, na maior parte dos casos, será preferível centrar os esforços no tratamento do elemento do casal infetado: "Sabemos que se os seropositivos tomarem de modo consistente as drogas retro-virais e conseguirem suprimir a sua carga viral, torna-se quase impossível transmitirem o vírus".