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Último balanço: sobe para 12 número de mortes por legionela

Direção-Geral de Saúde finaliza dados do surto, mais de um mês depois de ter sido identificado. Nove óbitos eram homens. Doença dos legionários atingiu sobretudo pessoas do sexo masculino, numa média de idade de 58 anos. Oito pessoas ainda continuam internadas.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Doze mortes é o balanço do relatório final do surto da doença dos legionários em Vila Franca de Xira. Desde o último comunicado da Direção-Geral de Saúde de 21 de novembro, até esta segunda-feira, 15 de Dezembro, verificaram-se mais dois óbitos, ambos do sexo masculino. Ao todo, 375 casos de pneumonia causada pela bactéria legionella pneumophila "quase todos tratados em regime de internamento hospitalar". Mais de metade eram homens.

Na elaboração do documento, divulgado esta tarde, estiveram envolvidos ainda o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território e a Agência Portuguesa do Ambiente.

O surto identificado a 7 de dezembro e descrito "de grandes dimensões, pela sua magnitude" foi fatal para nove homens e três mulheres, com idades compreendidas entre os 43 e 89 anos. "Uma taxa de letalidade de 3,2%", especifica o relatório. As autoridades conseguiram controlá-lo em "duas semanas". Permanecem internadas oito pessoas, nenhum nos cuidados intensivos.

A média de idade dos infetados situou-se nos 58 anos. A larga maioria, 78%, residia em Vila Franca de Xira, 11% em Loures e os restantes noutras freguesias, mas todos eles "tiveram ligação epidemiológica (residência, trabalho, permanência ou deslocação) ao concelho de Vila Franca de Xira ou freguesias limítrofes de outros municípios". A doença atingiu maioritariamente homens - eram 251 dos 375 casos confirmados, isto é, 67%, face aos resultados positivos em 124 mulheres (33%).  

As entidades envolvidas destacam a "articulação intersetorial e a prontidão de intervenções conjuntas concorreram para celeridade quer da investigação, quer do controlo do surto", ainda as "respostas adequadas" do Hospital de Vila Franca de Xira quanto ao "acesso, tratamento e encaminhamento de doentes", assim como a colaboração dos representantes autárquicos. 

Foi provado que a estirpe de bactérias isoladas numa das torres de arrefecimento de uma unidade fabril local correspondia à estirpe identificada em secreções brônquicas de doentes. Salienta-se também que até hoje "o mandado de suspensão do funcionamento das torres de refrigeração das fábricas inicialmente suspeitas foi revogado em todos os casos, excepto numa empresa". Trata-se da Adubos de Portugal, tal como foi anunciado a 21 de novembro, pelo diretor-geral de Saúde, Francisco George, no mesmo dia em que o ministro Paulo Macedo dava como extinto o surto.

O Ministério Público investiga a eventual prática do crime de poluição. O apuramento de responsabilidades encontra-se em segredo de justiça.