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Três investigadoras ganham prémio Mulheres na Ciência

Ana Abecasis, investigadora do Instituto de Higiene e Medicina Tropical; Leonor Morgado, investigadora no Laboratório Associado REQUIMTE/CQFB, ligado à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa; Ana Ribeiro, investigadora no Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

Investigação sobre resistência aos anti-retrovirais, regeneração da espinal medula e produção de energia limpa distinguem três jovens cientistas da Universidade Nova e da Universidade de Lisboa.

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Ana Abecasis e Leonor Morgado, da Universidade Nova de Lisboa, e Ana Ribeiro, da Universidade de Lisboa, são as três jovens investigadoras que ganharam o Prémio Mulheres na Ciência, devido à sua investigação na resistência do vírus da sida aos anti-retrovirais, na produção de energia limpa e na regeneração da medula.

O prémio, no valor de 20 mil euros para cada cientista, é promovido por uma parceria entre a L'Oreal Portugal, a Comissão Nacional da Unesco e a Fundação para a Ciência e Tecnologia, destinando-se a distinguir as jovens investigadoras doutoradas com menos de 35 anos que desenvolvem o seu trabalho em Portugal nas áreas da saúde, ambiente e qualidade de vida.

O júri, presidido por Alexandre Quintanilha, professor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, analisou 70 candidaturas e seleccionou os projectos "que poderão contribuir para a compreensão de processos complexos, associados a doenças para as quais a ciência continua à procura de soluções, e a desafios ambientais que necessitam de resposta urgente", refere um comunicado da organização do prémio.

Resistência do HIV aos medicamentos anti-retrovirais

O projecto de Ana Abecasis, 33 anos, investigadora no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, pretende compreender como se desenvolvem e transmitem as mutações que estão a tornar algumas estirpes do HIV (vírus da sida) resistentes aos medicamentos anti-retrovirais, obrigando por vezes a terapias mais tóxicas, dispendiosas e menos eficazes.

O objectivo é definir regimes terapêuticos para doentes infectados por estas estirpes e estabelecer linhas de prevenção para a transmissão de resistências aos anti-retrovirais, melhorando a qualidade e esperança de vida desses doentes. Atualmente, cerca de 8% dos diagnósticos de HIV na Europa correspondem a casos em que a estirpe do vírus sofreu mutações que o tornam resistente aos anti-retrovirais.

Compreender e optimizar a transferência extracelular de electrões na bactéria Geobacter sulfurreducens, e contribuir para a aplicação mais eficiente de tecnologias que permitam gerar energia limpa e ao mesmo tempo remover compostos tóxicos do ambiente, é o objetivo do projeto de Leonor Morgado.

As bactérias da espécie Geobacter têm a capacidade de transferir electrões para o seu exterior, uma particularidade que tem sido explorada em duas áreas específicas: a chamada bioremediação, para desenvolver tecnologias sustentáveis de remoção de compostos poluentes do meio ambiente; e a bioenergia, utilizando células de combustível microbianas nas quais os microrganismos crescem produzindo corrente eléctrica.

A investigadora de 29 anos trabalha no Laboratório Associado para a química verde REQUIMTE/CQFB, ligado ao Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Como regerar a espinal medula

Quanto a Ana Ribeiro, de 32 anos, foi distinguida com um projecto que abre novas pistas sobre a regeneração celular indispensável à recuperação após uma lesão na espinal medula.

A investigadora no Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa usa como modelo de estudo os peixes-zebra que, ao contrário dos mamíferos, são capazes de formar as novas células que restabelecem a estrutura da espinal medula e possuem uma grande capacidade de recuperar a função motora depois de uma lesão na medula.

Devido à falta de terapias eficazes, a lesão da medula espinal tem efeitos permanentes nos seres humanos, com sintomas que variam entre a dor e a paralisia, como nos casos de paraplegia e tetraplegia.

Perceber como a medula espinal do peixe-zebra adulto é capaz de formar novas células após uma lesão e de como estas células ajudam a restabelecer a sua estrutura e a recuperar a sua função, poderá ajudar a compreender quais são os factores que impedem ou limitam a regeneração nos mamíferos e como poderá este bloqueio ser ultrapassado.

Esta investigação ajudará a descobrir como poderão ser moduladas as células estaminais neurais presentes na espinal medula dos mamíferos, incluindo os seres humanos, de modo a produzir novas células e contribuir para o desenvolvimento de terapias mais eficientes para as lesões.