Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Transfusões de sangue jovem podem inverter envelhecimento

Cientistas americanos concluem que injectar sangue jovem em ratinhos velhos inverte declínio no cérebro, coração e músculos.

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Três estudos feitos por universidades americanas poderão conduzir a novas terapias que invertam os processos degenerativos do envelhecimento no funcionamento do cérebro, nomeadamente na memória e na capacidade de aprendizagem, assim como na resistência, nos músculos, no coração e noutros órgãos vitais.

A transfusão de sangue de ratinhos jovens em ratinhos velhos provocou o seu rejuvenescimento, mas falta agora saber se esta terapia poderá ter o mesmo resultado em seres humanos.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco e da Universidade de Harvard (Cambridge, Massachusetts) defendem, por isso, a necessidade de serem feitos testes clínicos em humanos, o que será possível nos próximos três a cinco anos.

Faltam os testes clínicos em humanos

"Precisamos de fazer testes clínicos para sabermos se esta terapia pode ser aplicada em humanos, e para determinarmos se há efeitos secundários indesejáveis", afirmou ao jornal britânico "The Guardian" Saul Villeda, líder da equipa da Universidade de Califórnia que fez um dos estudos.

Villeda afirma que a inversão do envelhecimento está ligada às proteínas CREB, que atuam como principais reguladoras no cérebro. Assim, a injeção de plasma sanguíneo de um ratinho jovem (com três meses de idade) num ratinho velho (com 18 meses, o equivalente a um humano de 70 anos) torna as proteínas CRAB mais ativas, ativando por sua vez os genes que são responsáveis pelas conexões neurais.

Os outros dois estudos, conduzidos pela Universidade de Harvard, e publicados na revista "Science", concluíram que o efeito de rejuvenescimento se deve à injeção de uma única proteína do sangue chamada GDF11.

O segredo da proteína GDF11

Nos ratos mais velhos esta proteína entra em colapso e as injeções restauram a GDF11 para níveis mais jovens, com efeitos muito positivos no funcionamento dos músculos e do cérebro.    

"A proteína é idêntica nos ratinhos e nos humanos e está também presente na nossa corrente sanguínea, o que sugere que os efeitos conseguidos nos ratinhos poderão ser replicados nos humanos", explica Amy Wagers, uma das autoras dos dois estudos.

O envelhecimento é um dos maiores fatores de risco para doenças como o cancro, a diabetes, a demência ou as doenças cardiovasculares. A descoberta de uma terapia que pudesse retardar ou mesmo fazer regredir qualquer uma destas doenças, teria um forte impacto na saúde pública.