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Toda a história por trás da fotografia que não para de partir corações

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FOTO OSMAN SAGIRLI

Uma criança de braços no ar, símbolo da rendição dos civis perante uma guerra. Há uma semana que a imagem não para de partir corações, inundando as redes sociais como um vírus. A polémica cresceu a par com a notoriedade. Agora, a BBC vem acabar com as dúvidas e explicar a história por trás da fotografia. 

Foi em Dezembro do ano passado mas podia ter sido hoje ou em 2012. Foi uma rapariga, mas podia ter sido um rapaz. Foi na fronteira com a Turquia, mas podia ter sido no interior da Síria. Quando o mundo foi confrontado com a imagem de uma criança de quatro anos, de braços no ar, em posição de rendição, cada um viu o que quis e construi a história mais pungente. Durante uma semana, milhares de pessoas manifestaram a sua angústia perante o pânico infantil, até que a BBC acabou com as versões e contou a história definitiva.

Aqui vai. Osmar Sagirl é fotógrafo há 25 anos, trabalha para o jornal turco "Turkiye" e, em 2012, estava a trabalhar num campo de refugiados na fronteira da Turquia com a Síria. É quando encontra uma rapariga de quatro anos que, de frente para a teleobjetiva, fica paralisada, aperta os lábios e levanta os braços, entregando-se como refém ao fotógrafo.

Quase três anos mais tarde outra fotógrafa, a palestiniana Nadia Abu Shaban, partilha a imagem no Twitter, logo repetida mais de onze mil vezes. Dois dias mais tarde, é partilhada no Reddit, onde recebe mais de cinco mil votos positivos e 1600 comentários. Cresce a divulgação, sobe de tom a polémica, com acusações de que a imagem é falsa, já que, quando foi colocada no Twitter, não vinha acompanhada de autoria. Um utilizador do Imgur - site de partilha de imagens - encontra o jornal onde a imagem foi originalmente publicada e, com esta pista, a BBC chega ao autor da imagem e esclarece as dúvidas.

A imagem mostra Adi Hudea, uma menina de quatro anos em 2012, no campo de refugiados de Atmeh, na Síria, a dez quilómetros da fronteira com a Turquia. A criança estava acompanhada da mãe e de dois irmãos, todos deslocados a 150 quilómetros da sua cidade materna, Hama. Não há mais informações disponíveis, nem é preciso - a imagem basta por si própria e a onda de comoção não parece esmorecer.