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Suspeita de espionagem nas eleições do ACP

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Carlos Barbosa durante a apresentação do Rali de Portugal 2015

Estela Silva/Lusa

Cresce a polémica em torno das eleições no Automóvel Club de Portugal. Há acusações de irregularidades de parte a parte e queixas-crime entre as duas listas candidatas.

Rui Gustavo e Hugo Franco

A direção do clube presidido por Carlos Barbosa apresentou esta tarde uma queixa-crime contra F.T., infomático do ACP, que está suspenso e com um processo disciplinar por suspeitas de espionagem. O ACP acusa F.T. de ter acedido a dados confidenciais sobre o salário do presidente e um cartão de crédito de um diretor comercial e de ter passado a informação aos jornais - o "Correio da Manhã" noticiou que Carlos Barbosa recebe 21 mil euros por mês.

De acordo com a queixa, F.T., que o Expresso não conseguiu contactar, terá feito downloads a partir do computador da diretora dos Recursos Humanos e acedeu também aos dados pessoais (nome e morada) de todos os sócios maiores de 18 anos. Sem nunca referir o nome da lista adversária de Carlos Barbosa, a queixa explica que houve sócios contactados em casa pela lista de Raposo Magalhães, o que, no entender dos responsáveis do ACP, indicia que houve informação passada à lista adversária.

"Pode concluir-se que o denunciado acedia, espiava, copiava e armazenava frequentemente dados pessoais sensíveis" e que "é evidente que partilhou essa informação com terceiros estranhos à organização", diz a queixa.

Em declarações ao Expresso, Raposo Magalhães garante que a sua lista "nunca recebeu ficheiros de ninguém" e que Carlos Barbosa "inventou mais uma história". Um outro representante da lista A (a de Raposo Magalhães) acrescenta que F.T., o informático acusado pelo ACP, é "amigo de alguns membros da lista" mas lembra que "é completamente falso que algum representante da lista A tenha recebido dele, ou de outra pessoa, informações confidenciais da vida interna do ACP".

Em março, a lista de Raposo Magalhães fez um pedido de impugnação do processo eleitoral e apresentou uma queixa-crime no Ministério Público, invocando irregularidades nos boletins de voto. "As irregularidades são tão graves que viciam as eleições", acrescenta o mesmo responsável da lista A. E dá exemplos: "A comissão eleitoral é constituída apenas por funcionários do ACP, houve duplicação de votos e utilização das instalações e de funcionário do ACP por parte de Carlos Barbosa."

As eleições no ACP realizam-se no próximo dia 30 e são disputadas por duas listas. A lista A é liderada por Raposo Magalhães e a B por Carlos Barbosa, que preside ao clube há 12 anos. O processo eleitoral já decorre (votação por correspondência).