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Sporting queixa-se de isenções da Câmara ao Benfica e reclama €40,6 milhões de "apoios em falta"

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FOTO MÁRIO CRUZ / LUSA

Com a questão da isenção das taxas urbanísticas ao Benfica ainda por esclarecer, Bruno de Carvalho considera que há uma "desigualdade de tratamento" ao Sporting. Em carta enviada a 26 de fevereiro, faz as contas ao que terão sido os apoios dados aos dois clubes e exige à autarquia a diferença: 40,6 milhões de euros

Benfica, 88,5 milhões; Sporting, 47,9 milhões (incluindo aqui €5,4 milhões de pedidos pendentes). É este o resultado, segundo as contas do Sporting, para os apoios concedidos pela Câmara de Lisboa, desde 1990, aos dois principais clubes da cidade.

Com a polémica da proposta de isenção ao Benfica das taxas urbanísticas e das compensações  ao rubro (o assunto transitou da Câmara para a Asembleia Municipal, que terá a última palavra), Bruno de Carvalho escreveu na quinta-feira da semana passada ao vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Os leões sentem-se "discriminados". Mas a carta vai muito além dos lamentos. "Considerando (...) que o total de apoios financeiros da Câmara ao Benfica foi de €88.587.400, entende o Sporting ter legitimidade para solicitar (...) que a Câmara conceda ao Sporting benefícios ou direitos a acordar, tais como direitos de edificabilidade na cidade de Lisboa, no mesmo valor".

Para Bruno de Carvalho, "o valor total de novos apoios em falta a conceder ao Sporting estima-se em €40.633.240".

Um mur(r)o de lamentações

A carta do presidente do Sporting teve como destinatário o vice-presidente da Câmara, Fernando Medina. Duas semanas antes, haviam estado frente a frente, numa reunião em que o Sporting discutiu com a autarquia várias questões relacionadas com o pavilhão que o clube pretende edificar na zona do antigo Estádio José de Alvalade.

A reunião teve lugar a 11 de fevereiro, curiosamente o mesmo dia em que o executivo municipal discutiu e aprovou, apenas com os votos do PS, a proposta a levar à Assembleia Municipal em que o Benfica reclama a isenção de taxas urbanísticas (ao abrigo de um protocolo celebrado entre o clube e a Câmara de Lisboa em 1995).

Ao saber depois, assume-o Bruno de Carvalho na carta a Medina, os termos da proposta respeitante ao Benfica, o Sporting subiu a parada.

Para começar, o clube vem colocar em causa o protocolo assinado com a autarquia em 2011 e o plano de pormenor daí decorrente, aprovado em 2014. "O atual Conselho Diretivo [do Sporting] entende que as obrigações decorrentes do protocolo e do plano de pormenor (...) estão desequilibradas e [são] muitíssimo onerosas para o clube".

Mais adiante, noutro dos exemplos invocados, o presidente leonino diz que "o Sporting considera-se fortemente prejudicado na medida em que a Câmara concedeu ao Benfica um conjunto de vantagens financeiras, no âmbito dos apoios à construção do novo estádio destinado ao Euro 2004, de que o Sporting não benefiicou".

Bruno de Carvalho afirma que as "notícias" sobre a proposta para a isenção de taxas ao Benfica - quantificada pela Câmara em €1,8 milhões, mas pela presidente da Assembleia Municipal, Helena Roseta, em €4,6 milhões - "motivaram naturalmente grande contestação e controvérsia entre os sócios do Sporting, em particular os residentes na cidade de Lisboa, que se sentem discriminados, sentimento que é partilhado pelo órgãos sociais do Sporting".

A guerra Sporting-Benfica, tão acesa nos últimos tempos, chegou agora a mais uma trincheira: a Câmara de Lisboa.

António Costa, que tinha a rebentar à sua volta as explosões da proposta de isenção das taxas urbanísticas ao Benfica, recebe agora mais fogo, disparado pelo Sporting.