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Sócrates tem mais uma visita: Pinto da Costa, que não alinha "em palhaçadas"

Jornalista: "Podemos perguntar-lhe quem veio ver?". Pinto de Costa: "Olhe, venho ver se está aí alguém da sua família".

Depois de um fim de semana complicado para um - derrota no Dragão com o Benfica - e de um início de semana difícil para outro - entrevistas rejeitadas -, aconteceu o inesperado: pelas 15h00 desta terça-feira, Pinto da Costa foi visto à porta do estabelecimento prisional de Évora. Objetivo: concretizar "uma missão particular, como cidadão", para visitar "uma pessoa que muito prezo".

Primeira pergunta dos jornalistas: "O que é que vem dizer?". Primeira resposta: "A vocês, [venho] dizer bom Natal". Nova questão: "Veio aqui dar uma palavra ao senhor engenheiro?". "Naturalmente que não vou revelar as conversas que tenho com as pessoas." Segue o jogo: "Qual é a mensagem principal?". Pinto da Costa: "A mensagem principal é dizer-vos que estou aqui como cidadão e que não alinho em palhaçadas, nem em devassa da vida interna. E como estou aqui como cidadão numa visita particular, não tenho nada que me pronunciar sobre ela".

Depois de uma primeira parte mais despreocupada, veio uma segunda mais desassossegada. Jornalista: "Mas podemos perguntar-lhe quem veio ver?". Pinto de Costa: "Olhe, venho ver se está aí alguém da sua família". Nova questão: "Acredita na inocência de José Sócrates?". "Já lhe disse e vou repetir-lhe, porque parece que não entendeu bem, talvez por estar com o ouvido tapado: eu venho aqui numa missão particular, como cidadão. Aquilo que eu faço como cidadão não é para tornar público, nem para dar espetáculo."

Os jornalistas insistiram novamente. Pinto da Costa manteve o registo: "Vou voltar a repetir" e etc. Mas não repete - acrescenta informação nova: "Vim aqui como cidadão para visitar quem considero muito. Não vou contar o que vou dizer nem o que vou ouvir, porque à saída não direi nada. Não entro em espetáculos e exijo respeito pela vida privada de toda a gente, como a minha. Estou aqui numa missão particular".

Há prolongamento: os jornalistas não abrandam, Pinto da Costa retorna ao "já lhe disse, vou repetir". "Parece que vocês são um bocado surdos", acrescenta. Um jornalista clarifica: "Não somos, não". Pinto da Costa retoma: "Vou repetir: estou aqui como cidadão, para visitar uma pessoa que muito prezo, com quem vou ter uma conversa que não vou revelar, porque não admito a intromissão na vida particular das pessoas, neste caso na minha". E eis então o desenlace, mas com Pinto da Costa a questionar ("querem que diga outra vez?") e os jornalistas a responder ("não, muito obrigado").