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Sócrates, o Grupo Lena e o amigo Hugo Chávez

Grupo do Oeste era considerado "empresa do regime" no tempo de Sócrates. A ligação está em Carlos Santos Silva, que é agora dado como suposto testa-de-ferro de alegadas contas bancárias de Sócrates. O Grupo Lena foi alvo de buscas no mesmo dia em que José Sócrates foi detido.

Abril 2009: o Expresso publica um trabalho sobre empresas do regime, quando o regime é o de Sócrates. Entre essas empresas está o grupo Lena, que esta sexta-feira foi alvo de buscas que a própria empresa confirmou, clarificando no entanto que elas "nada tinham a ver, tanto quanto fomos informados e foi percetível, com a atividade empresarial do Grupo Lena". A relação entre o grupo Lena e José Sócrates foi estabelecido pelo Sol e pelo Correio da Manhã através de Carlos Santos Silva, do Lena, e amigo de Sócrates, que alegadamente seria testa-de-ferro de contas bancárias do antigo primeiro-ministro na Suíça.

A Lena foi uma das empresas que beneficiaram da diplomacia económica em projetos para a Venezuela, no tempo de Sócrates. Em 2009, o Expresso escrevia: "No caso da Lena, da família Barroca Rodrigues, é o próprio grupo, segundo os seus concorrentes, que invoca uma relação privilegiada com o poder para ganhar capacidade de influência. O presidente de uma construtora gracejava, entre amigos, que nos 'consórcios o melhor é incluir a Lena, sempre dá uma ajuda'. O gestor de outra companhia confirmava ao Expresso que são os próprios responsáveis que tornam essa proximidade 'pública e notória' ao invocar repetidamente 'facilidade de acesso ao José'." Quando o Grupo Lena anunciou que ia lançar um jornal diário, o i, o projeto foi inicialmente visto como uma forma de afirmação do grupo, que iria ter um grupo de comunicação social alargado, o que não veio a acontecer.

Ainda no Expresso em abril de 2009: "A pista que liga a Lena a Sócrates residirá num administrador do grupo, seu amigo de infância e colega no ISEC. Carlos Santos Silva frequentou o mesmo curso e partilhou o mesmo quarto de Sócrates, em Coimbra. O engenheiro é um dos braços-direitos dos irmãos Joaquim (46 anos) e António (45 anos) que sucederam ao pai no comando do grupo. O contrato para fornecer cinco mil casas à Venezuela e a inclusão no consórcio, liderado pela Teixeira Duarte, para a ampliação do Porto de la Guaria, em Caracas, surgem como sinais exteriores da bênção do Governo. Nascido no Oeste, uma região dominada pelo PSD, o grupo defende-se, alegando que as relações com o Governo são apenas no plano institucional."

A grande ilusão no tempo de Sócrates foi também a grande desilusão: os contratos com a Venezuela. O Governo de Hugo Chavez começou por, em 2008, anunciar a contratação 50 mil casas sociais pré-fabricadas ao grupo Lena, um negócio que ascenderia a €2 mil milhões em seis anos. Depois, o contrato foi sendo revisto em baixa.