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Sindicato do Pessoal de Voo abandona a UGT

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84% dos sócios do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil votaram a favor da saída da UGT

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Referendo toma decisão com 84% de votos a favor. Divergências sobre última greve na TAP provocam "divórcio" de um dos sindicatos mais influentes de central sindical.  

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) acaba de deixar a UGT depois de uma assembleia-geral realizada ontem, que confirmou a decisão tomada num referendo feito entre 10 e 24 de março, onde 84% dos seus sócios votaram a favor da separação.

O SNPVAC, um dos fundadores da UGT em 1978 e um dos sindicatos mais influentes da central, onde representava 90% dos 2500 tripulantes de cabine da TAP, vai ser agora um sindicato independente. As suas relações com a UGT estavam a tornar-se cada vez mais conflituosas, tendo chegado ao ponto de rutura  quando o SNPVAC decidiu manter a greve na TAP entre 27 e 30 de dezembro de 2014.

Nessa altura, outros três sindicatos filiados na UGT desconvocaram a greve e integraram o grupo de nove sindicatos que negociou um acordo com o Governo, que aceitou discutir as condições para manter a sede da TAP em Portugal durante dez anos após a privatização.

Imposição ou falta de solidariedade?

O SNPVAC exigiu então à UGT que tomasse uma posição contra esses sindicatos, o que a central recusou. Num comunicado divulgado ontem, a UGT "lamenta a decisão do SNPVAC de abandonar a sua filiação" na central sindical, mas considera que "os argumentos invocados como justificativos para referendar esta saída não são verdadeiros". E salienta que o sindicato "não pode impor aos outros sindicatos a lei da rolha - ou estão comigo, ou contra mim".

O SNPVAC diz que a sua decisão se deve à falta de solidariedade da central sindical em relação às suas formas de luta para defender o Acordo de Empresa na TAP. "Algumas cartas enviadas para o sindicato pela UGT causaram um certo desconforto pelo seu teor", afirmou a presidente do SNPVAC à Rádio Renascença. Luciana Passo acrescentou que "a votação dos associados refletiu esse desconforto e a vontade de não permanecer na central sindical".

No seu comunicado, a UGT recorda que se manifestou publicamente contra a privatização da TAP e que "manteve sempre o seu total apoio, pessoal e institucional, às formas de luta encetadas pelo SNPVAC para defender o seu Acordo de Empresa".