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Simba. Ou como transformar a tristeza em justiça por um amigo

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Uma das fotos de Simba, publicada pelo dono na sua página no Facebook

Abatido a tiro em Monsanto, Simba era um Leão da Rodésia cuja morte os donos querem transformar em símbolo contra os maus-tratos contra os animais. Estão no bom caminho para o conseguir.

Simba morreu no sábado, abatido a tiro a escassos metros da casa onde vivia com os donos desde 2010, ano em que nasceu. Foi alegadamente vítima de um vizinho (uma queixa crime foi já apresentada). No dia seguinte, "lavado em lágrimas", o seu dono assinou no Facebook um comovente testemunho, contando a história deste Leão da Rodésia e lamentando a sua perda. Escreveu-o com o objetivo de impedir que a morte de Simba tenha sido em vão, o que as mais de 19 mil pessoas que até agora assinaram a petição pública online "Fazer justiça pela morte do Simba" estão a ajudá-lo a conseguir.

José Diogo Castiço, de 37 anos, residente em Monsanto (Idanha-a-Nova), partilha a sua dor com a mulher, Andreia, ao colo de quem o seu "melhor amigo nesta vida" morreu. Resolveram transformar a tristeza dos últimos dias num manifesto contra os maus-tratos aos animais. Querem ver cumprida a lei, o que os levou a chamar a GNR, que por sua vez entregou o caso ao Ministério Público.

O vizinho nega, diz que "disparou para o ar" depois de o cão ter entrado no seu quintal, mas conta o "Jornal de Notícias" que a arma, uma "Flobert", acabou apreendida. A justiça avaliará.

"Em Portugal, a lei mudou. Precisamos de justiça para o Bubu [como Simba era chamado carinhosamente], para as centenas de animais que sofrem nas mãos da crueldade do homem, de pessoas de má índole que são autorizadas a possuir armas em casa, a disparar sobre outros animais e a rechear paredes com cabeças de animais mortos", pode ler-se no texto de José Diogo.

Os donos do Simba não reclamam qualquer indemnização - somente a justiça que lhes resta exigir pelo amigo que perderam.