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Rui Moreira mais poupado do que Rio

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FOTO RUI DUARTE SILVA

Câmara do Porto fechou as contas de 2014 com um saldo global superior a 54 milhões de euros, um "valor histórico" 200% superior a 2013, ano do último mandato de Rui Rio.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Durante a campanha eleitoral, o independente Rui Moreira prometeu fazer jus à expressão "contas à moda do Porto" e seguir o rigor de gestão dos dinheiros da autarquia herdado do seu antecessor.

Um ano e meio depois de estar em funções, o executivo de Rui Moreira leva à reunião pública da Câmara do Porto, na próxima terça-feira, as contas relativas ao primeiro ano completo de mandato, apresentando um "saldo histórico" superior a 54 milhões de euros.

Em comunicado, o gabinete da presidência avança que 2014 "foi exemplar quanto a execução orçamental", ano em que a autarquia reduziu a despesa e aumentou a receita, "o que permitiu reduzir o endividamento bancário em mais de 10% (menos 9,8 milhões de euros)". 

Segundo o relatório e contas, a receita liquidada obtida pelo município foi de 212,8 milhões de euros, superior em 30,4 milhões ao orçamentado, números justificados com o crescimento da receita fiscal, por via do aumento de impostos como o IMT, "resultante da dinâmica económica que a cidade está a viver e do processo de reabilitação urbana em curso na cidade". 

Dinheiro em caixa para reabilitar Bolhão 

As contas que Rui Moreira irá apresentar à cidade são ainda explicadas pelo lado da despesa, que desceu em rubricas como despesa com pessoal e com a aquisição de bens e servidos, a área em que a autarquia mais poupou.

Num comunicado emitido esta quinta-feira, é ainda referido que a Câmara do Porto cumpre a regra do equilíbrio orçamental com um excedente de 27 milhões de euros, além de ter cumprido a meta de 2% de redução de pessoal imposta pela Lei do Orçamento do Estado, na área dos recursos humanos.

De acordo com Nuno Santos, adjunto do presidente responsável pela comunicação, o saldo de tesouraria (45,4 milhões de euros) vai permitir à Câmara do Porto  uma maior liberdade para que a cidade possa dedicar-se a projetos historicamente adiados, sem depender de terceiros ou de endividamento bancário.

Entre os projetos há muito aguardados e sem data à vista para serem executados está o Mercado do Bolhão, uma pedra no sapato da era Rui Rio, ou a nunca consumada reabilitação da zona de Campanhã. Embora ainda não tenha sido revelado qual o projeto que para a deprimida zona oriental do Porto, a revitalização deverá passar por um empreendimento no antigo matadouro municipal da cidade. Um dos projetos defendidos pelo socialista Manuel Pizarro, vereador da Habitação Social, passava pela implementação de um Centro Empresarial para albergar uma incubadora de empresas criativas e tecnológicas em ligação com a Universidade do Porto.