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Recurso é entregue sexta-feira, diz advogado depois de consultar Sócrates

Nuno Botelho

João Araújo esteve "mais de duas horas" com o ex-primeiro-ministro, detido preventivamente em Évora há 20 dias.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

O recurso da prisão preventiva de José Sócrates será entregue sexta-feira, informou o advogado à saída do Estabelecimento Prisional de Évora. Estava previsto para esta segunda-feira, mas João Araújo alegou que a defesa precisava de "consultar o seu constituinte". "Foi uma ponderação", sublinhou.

Esteve reunido "mais de duas horas" e questionado sobre se saiu mais esclarecido, respondeu: "Claro!". O recurso dará entrada no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) na sexta-feira, "lá para as 11h, para não obrigar ninguém a levantar-se cedo".

Para João Araújo, "isto não é uma 'ilegalidadezinha'. É uma violação do direito maior depois do direito à vida - o direito à liberdade". Confrontado com a recusa da direção geral dos serviços ao pedido de entrevista do Expresso a José Sócrates, após pareceres negativos do juiz Carlos Alexandre e do procurador Rosário Teixeira, "não sabia de nada". "Estão a dar-me uma novidade", afiançou, referindo ser "ilegal", por "vários motivos", escusando-se, todavia, a enunciá-los. 

Apesar de referir que "não tem nada a ver" com as escolhas de Sócrates para fazer passar mensagens para o exterior, João Araújo considera "tenho sim a ver com a necessidade e direito que o senhor engenheiro José Sócrates tem de comunicar livremente com o país, com as pessoas, com o meio que entender". E deixou ainda um lamento. "É completamente inaceitável que só possa comunicar por telefone com o advogado cinco minutos por dia". 

A meio da semana, na quarta-feira, é conhecida a apreciação do juiz conselheiro Souto Moura - antigo Procurador-geral da República - ao terceiro pedido de libertação imediata ('habeas corpus') de Sócrates.

O ex-primeiro-ministro encontra-se detido em Évora desde a madrugada do dia 25 de novembro passado, no âmbito da Operação Marquês. Sobre si recaem indícios de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.