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Raios X fazem 115 anos

Google assinala hoje o 115.º aniversário dos raios X com uma imagem especial na homepage do site. Todos os dias são tiradas 10 milhões de radiografias no mundo.

Carolina Reis (www.expresso.pt)

O nome de Wilhelm Röntgen provavelmente não diz nada à maior parte da população, mas já quase toda a gente deve ter utilizado a descoberta que o físico alemão fez a 8 de novembro de 1895: os raios X.

Pelo menos assim o indicam os números, segundo a Organização Mundial de Saúde todos os dias são feitos 10 milhões de raios X por dia no mundo. Uma estimativa da Direção-Geral de Saúde diz que em Portugal se fazem 10 milhões por ano.

Graciano Paulo, professor coordenador de Radiologia na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, alerta para a atual exposição do ser humano à radiação. "O nível de exposição à radiação para fins médicos já ultrapassou o nível de exposição a que o ser humano está sujeito pelo facto de estar vivo, a chamada radiação natural."  

O Google assinala a data com um logotipo especial na sua homepage, no qual faz uma radiografia ao próprio nome.

Ver além da pele

Há 115 anos, Wilhelm Röntgen percebeu, enquanto fazia experiências com descargas elétricas, que havia uma substância que tinha a capacidade de atravessar a matéria e provocar o enegrecimento de placas com platinocianeto de bário, o que permitia ver além da pele.

A mão de mulher de Röntgen foi a primeira radiografia tirada

A mão de mulher de Röntgen foi a primeira radiografia tirada

Perante a descoberta, o físico alemão chamou a mulher para cobaia e testou na sua mão o que tinha descoberto, tirando-lhe a primeira radigrafia da História.

Com a radiografia à mão da mulher de Wilhelm Röntgen estavam dados os primeiros passos dos raios X. Os novos raios criaram o diagnóstico pela imagem e a evolução ao longo do anos tornou possível exames como a mamografia e a anxiografia. Hoje em dia, com a ajuda dos raios X pode tratar-se um grande conjunto de doenças sem ser necessário recorrer à cirurgia, como colocar dentes nos vasos sanguíneos.

As conclusões de Wilhelm Röntgen tornaram-se conhecidas a 28 de dezembro de 1895, quando o físico alemão publicou o artigo "Sobre uma nova espécie de raios", que viria a ser apresentado e discutido na Academia de Ciências.

Pai da Radiologia

Apesar da importância da descoberta, o "pai da Radiologia" preferiu que os raios não tivessem o seu nome, atribuindo-lhes sempre a designação de X, muito utilizada na Matemática para algo que não é conhecido. Nascido na Alemanha em 1845, Wilhelm Röntgen viveu desde pequeno com a família na Holanda. Depois de se ter doutourado na Universidade de Zurique dedicou-se às universidades onde lecionou. Em 1879 foi chefe do departamento de Física da Universidade de Giessen, em 1888 foi físico chefe da Universidade de Würzburg e em 1900 físico chefe da Universidade de Munique. A descoberta dos raios X valeu-lhe o Prémio Nobel da Física em 1901. O físico alemão nunca registou qualquer patente.

Nas comemorações dos 115 anos da descoberta dos raios X, a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra realiza nos próximos dias 19 e 20 um congresso sobre radiologia