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Sociedade

Quase três mil professores voltam hoje a prestar provas

Há muito que os professores contestam a prova de avaliação de conhecimentos

José Carlos Carvalho

À segunda edição da prova criada pelo ministro Nuno Crato, os sindicatos responderam com nova greve aos serviços ligados à realização da Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos.  

É num braço de ferro constante que a Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos (PACC), destinada a professores com menos de cinco anos de serviço que queiram candidatar-se a dar aulas, volta hoje a realizar-se. O Ministério da Educação (ME) agendou o teste para hoje às 15h e sete sindicatos voltaram a marcar greve - já o tinham feito no ano passado, na estreia da prova. O ME ainda tentou decretar serviços mínimos, mas a comissão arbitral constituída para dirimir o conflito entre tutela e sindicatos entendeu, por unanimidade, que não se justificava.

Ao todo estão inscritos 2861 candidatos, que tiveram de pagar 20 euros. A aprovação na componente geral da PACC e nas provas específicas para cada grupo disciplinar (que se realizam a partir de fevereiro) é necessária para que possam concorrer a dar aulas. Na primeira edição da PACC, que acabou por se realizar em duas datas devido à greve e aos protestos que impediram mais de cinco mil docentes de fazer a prova em dezembro de 2013, chumbaram 15% dos docentes: 1473 num total de 10.220 testes realizados. 

A média global foi de 63% e houve ainda outros 15% que passaram à justa, já que tiveram entre 50% e 59%. Pouco mais de 4% conseguiram uma pontuação acima dos 90%. Quem já passou não precisa de repetir a prova. O Instituto de Avaliação Educativa (Iave), responsável pela organização da prova, apresentou então um relatório sobre o desempenho dos candidatos e conclui que dois em cada três deram erros ortográficos na redação de um texto com 250 a 350 palavras. E que 15% chegaram a cometer cinco ou mais erros. O resto do exame era constituído por 32 itens de escolas múltipla que testavam a interpretação e o raciocínio lógico, por exemplo.

 

Poucas hipóteses de colocação

Apesar de a PACC ter sido criada ainda no tempo da ex-ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues, a prova só foi aplicada com Nuno Crato. O ministro entende que é um elemento fundamental para garantir a qualidade de quem tem pouca experiência e se candidata a dar aulas. Mas, para já pelo menos, esta forma de triagem não tem grandes consequências. É que a lista de candidatos é tão extensa que quem tem pouco tempo de serviço só muito dificilmente consegue ser contratado.

De acordo com as contas de Arlindo Ferreira, professor e autor do blogue Ar Lindo, especializado em concursos e estatísticas de educação, até ao início do mês passado menos de 4% dos que realizaram a primeira PACC foram chamados a dar aulas (menos de 400 em 10 mil). Ou seja, a esmagadora maioria dos professores colocados nas escolas não a realiza.

Os sindicatos consideram que a prova apenas serve para "humilhar" os professores e que estes já deram provas dos seus conhecimentos, validados pelas instituições de ensino superior, ao terem concluído os seus cursos.

 

Polícia nas escolas

A PACC realiza-se hoje em 80 escolas, sendo que em cada sala têm de estar dois vigilantes. Mas como o número de inscritos é reduzido não será difícil aos diretores garantir a presença do número necessário de vigilantes, que não estejam dispostos a fazer greve.  

Os sindicatos não desarmam e acusam o Ministério de pressões e de voltarem a chamar as forças policiais à escola, para tentar evitar os protestos de há um ano.