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Privados limpam mais caro e pior? CDU do Porto diz que sim

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CDU exige que Rui Moreira volte a municipalizar os serviços de limpeza e de recolha de lixo no Porto, alegando que a autarquia esbanja milhões com o recurso a privados.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A CDU do Porto vai pedir ao presidente da Câmara do Porto que entregue a todas as forças representadas nos órgão municipais informação, "rigorosa e atualizada", sobre os custos e detalhes dos serviços prestados no âmbito da privatização da recolha de lixo e limpeza pública, em vigor desde 2008.

Em conferência de imprensa no Porto, o vereador Pedro Carvalho e os dirigentes do PCP Honório Novo e Belmiro Magalhães defenderam esta sexta-feira que a remunicipalização desses serviços é o caminho a percorrer, sustentando que a autarquia, além de assistir a "uma notória quebra nos padões de limpeza", esbanjou "largos milhões de euros" com a privatização.

Segundo as contas avançadas pelos eleitos municipais da CDU, a Câmara do Porto gastou em média mais de 9 milhões de euros por ano, entre 2009 e 2013, em limpeza urbana e recolha de resíduos, "mais de 58,2% do que o previsto" quando, em 2008, Rui Rio optou por concessionar a privados metade da cidade.

"Apenas entre 2009 e 2013, já que faltam contabilizar os anos de 2014, 2015 e 2016, foram gastos 45,1 milhões de euros, praticamente o total previsto durante os oito anos da concessão", avança a CDU, que estima que a despesa total da concessão atinja os 71,7 milhões de euros, "mais de 26,1 milhões do que o inicialmente previsto".

A um ano do final do contrato, os eleitos da CDU/Porto querem que Rui Moreira arrepie caminho e cesse o vínculo com a SUMA e INVICTA Ambiente, as empresas vencedoras do concurso público.

Perante a dimensão da diferença entre os valores da proposta de adjudicação "e os que foram pagos", a CDU reivindica que as contas devem ser alvo de uma auditoria interna para analisar "as razões para tão grandes discrepâncias". Por último, a CDU pretende agendar até ao final de abril uma discussão desta matéria ao nível nos órgãos municipais.

O Expresso tentou em vão contatar a assessoria de Rui Moreira.