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Prisões sem serviços de psicologia por tempo indeterminado

"Com a aproximação do Natal, há um pico de doenças mentais nas prisões e sem a ajuda de psicólogos aumenta exponencialmente o risco de agressões, suicídio e automutilação", alerta a Ordem dos Psicólogos Portugueses

Ana Baião

Fim do contrato deixa psicólogos impedidos de exercer funções a partir da próxima segunda-feira, dia 15, o que colocará mais de 14 mil reclusos sem apoio. A Ordem dos Psicólogos alerta para as "gravíssimas consequências" da situação.  

Os 49 estabelecimentos prisionais em Portugal ficarão, por tempo indeterminado, sem serviço de psicologia a partir da próxima sergunda-feira, dia 15 de dezembro. A denúncia é feita pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), que lamenta o sucedido, através de um comunicado, no qual alerta a Direção-Geral de Reinserção Social para esta situação, que se repete pelo segundo ano consecutivo.

Os contratos dos cerca de 30 psicólogos que exercem funções terminam dentro de quatro dias e ainda não há data prevista para o seu reinício. A OPP relembra que já em 2013 o mesmo aconteceu e, durante um mês, os serviços prisionais estiveram privados do serviço de psicologia.

Fonte oficial da OPP diz ao Expresso que os psicólogos são os únicos profissionais competentes na mudança comportamental. "Com a aproximação do Natal, há um pico de doenças mentais nas prisões e sem a ajuda de psicólogos aumenta exponencialmente o risco de agressões, suicídio e automutilação".

No acolhimento a novos reclusos, não será também possível fazer uma avaliação psicológica e acompanhar a evolução de cada caso. Além disso, a mesma fonte chama a atenção para o "trabalho de continuidade" que é feito pelos psicólogos, pelo que se todos os anos mudam esses agentes "a confiança de um paciente no psicólogo também se perde".

Acresce ainda a o problema da reinserção social. "Há também um risco para ao cidadão, pois não sabe se o recluso que saiu foi bem integrado socialmente", considera a fonte da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Desta forma, não será possível aumentar a taxa de inclusão social, objetivo ambicionado pela Direção-Geral de Reinserção Social.

O Expresso pediu esclarecimentos junto da Direção-Geral de Reinserção Social, sem sucesso até agora.