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Presidente da TAP diz que "sobrevivência da empresa está em risco"

O presidente da TAP reforça que "nos tempos atuais, independentemente de quem seja o seu proprietário, uma companhia de aviação só sobrevive com a confiança dos seus passageiros".

José Ventura

Numa carta em que deseja Bom Natal aos trabalhadores da companhia, Fernando Pinto insiste que "a TAP precisa de recuperar de imediato a imagem de confiança e qualidade que ganhou ao longo de quase 70 anos de história".

O presidente da TAP alerta que a sobrevivência da companhia aérea está em risco "caso se prolongue a instabilidade atual", convidando os trabalhadores "a refletir na melhor forma de contribuir para a salvaguarda do futuro TAP".



"[...] Nesta conjuntura, sinto ser meu dever dizer claramente: a sobrevivência da TAP está em risco caso se prolongue a instabilidade atual e se não normalizarmos rapidamente a relação de confiança com o nosso mercado. Se tal não acontecer, com urgência, de pouco importará saber se a TAP deve ser pública ou privada", afirma Fernando Pinto numa carta enviada esta sexta-feira aos trabalhadores da companhia, a que a Lusa teve acesso.



Os sindicatos ligados à TAP reuniram-se esta manhã com a administração da empresa, a pedido do presidente, depois da requisição civil decretada na quinta-feira pelo Governo para os dias de greve.



Na carta em que deseja Bom Natal aos trabalhadores, Fernando Pinto diz não querer que ninguém "ignore as suas opiniões quanto à forma de organização económica ou ao exercício pleno das liberdade individuais e coletivas", mas insiste que "a TAP precisa de recuperar de imediato a imagem de confiança e qualidade que ganhou ao longo de quase 70 anos de história".



"Tenho consciência de que a companhia viveu outras crises, igualmente sérias, no seu passado, e que pode ter-se instalado a ideia de que a sua importância para o país a coloca a salvo de consequências negativas", argumenta, lembrando "o que aconteceu a outras companhias europeias, também elas prestigiadas e importantes".



O presidente da TAP reforça que "nos tempos atuais, independentemente de quem seja o seu proprietário, uma companhia de aviação só sobrevive com a confiança dos seus passageiros". "Esta é a altura para uma reflexão serena. Convido cada um de vós a refletir", escreve na comunicação aos trabalhadores.



A TAP reabriu esta sexta-feira a venda de voos para os quatro dias de greve e admite aceitar alterações segundo as disponibilidades dos voos, um dia depois do Governo ter decretado uma requisição civil para o período de paralisação.



A requisição civil aprovada na quinta-feira pelo Governo abrange cerca de 70% dos trabalhadores da TAP, permitindo realizar todos os voos previstos para os quatro dias da greve, afirmou o ministro da Economia, António Pires de Lima.



A decisão de relançar a privatização da companhia aérea, suspensa em dezembro de 2012, acendeu uma nova onda de contestação, que culminou com a marcação de uma greve geral de quatro dias de 27 a 30 dezembro.



O Governo pretende apresentar o caderno de encargos da venda de até 66% do grupo TAP até ao início de janeiro, para depois ser levantado pelos potenciais interessados, devendo o processo estar encerrado no primeiro semestre de 2015.