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Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia demite-se

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FOTO ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

Miguel Seabra invoca razões pessoais para deixar o cargo, no auge da polémica em torno do financiamento dos centros de investigação.

O presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Miguel Seabra, demitiu-se esta terça-feira, numa altura em que estão a subir de tom as críticas à avaliação e financiamento dos centros de investigação, processo que está a dar polémica há vários meses.

De acordo com o Ministério da Educação e da Ciência (MEC), Miguel Seabra demitiu-se por "razões pessoais", mantendo-se em funções todos os restantes membros da FCT.

Em comunicado, o MEC salienta a contributo do presidente da FCT nos últimos três anos para a modernização e competitividade da ciência em Portugal, considerando que o órgão responsável pela atribuição de bolsas de investigação conseguiu assegurar "a sustentabilidade financeira do sistema de ciência e tecnologia e reforçou a presença do país no Espaço Europeu de Investigação".

A verdade é que as novas regras de financiamento dos centros de investigação, anunciadas em janeiro, provocaram cortes significativos no orçamento de várias unidades científicas, tendo sido muito contestadas. Ainda na semana passada, oito centros de investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, por exemplo, uniram-se nas críticas à FCT.

Desde que foi lançado o processo de avaliação das unidades de investigação, em 2013, as regras mudaram várias vezes, nomeadamente com a fixação de um limite máximo para a atribuição das classificações mais elevadas.

A atribuição de bolsas individuais de investigação também sofreu alterações. No concurso que abriu esta terça-feira, a FCT vai deixar de atribuir mais de uma bolsa de doutoramento ou pós-doutoramento ao mesmo investigador.