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Prazos, brincadeiras, injustiças e desgraças: os argumentos do advogado que quer Sócrates livre antes do Natal

João Araújo, que defende o ex-primeiro-ministro, anunciou esta quinta-feira o dia e as horas em que vai apresentar recurso da prisão preventiva. À porta do estabelecimento prisional de Évora, desenvolveu argumentos para sustentar uma tese: "Só o facto de estar aqui há 15 dias é um abuso que tem de cessar o mais depressa possível".

Para João Araújo, José Sócrates ainda não se defendeu publicamente - ainda que o ex-primeiro-ministro já tenha falado à comunicação social a partir da cadeia, através das célebres cartas. Para o advogado, está na hora de a defesa pugnar publicamente.

"Na segunda-feira, cerca das 16h00, entregarei pessoalmente no Tribunal de Instrução Criminal o famoso recurso. Esse recurso tenciono torná-lo público, porque é altura de o senhor engenheiro José Sócrates se defender publicamente", afirmou esta quinta-feira João Araújo, junto ao estabelecimento prisional de Évora, onde Sócrates está detido.

"Ele tem sido minuciosamente atacado através da imprensa. Eu espero que vá passar o Natal a casa - só o facto de estar aqui há 15 dias é um abuso que tem de cessar o mais depressa possível."

Os jornalistas questionaram imediatamente o advogado sobre a probabilidade de tal acontecer - isto é, José Sócrates ser libertado antes das festas natalícias. Depois de apresentado o recurso

FOTO NUNO BOTELHO

É que depois de apresentado o recurso, o Ministério Público terá 30 dias para fazer as contra-alegações e o Tribunal da Relação de Lisboa terá mais um mês para decidir.

"Sabe, os prazos são uma coisa muito interessante, mas há duas coisinhas muito mais importantes: a justiça e a liberdade. Um país que não esteja em condições de respeitar a liberdade dentro da justiça é um país desgraçado", argumentou João Araújo.

"No meu entender, há um cidadão que está injustamente preso - se está injustamente preso, tem de ser libertado logo que alguém se aperceba da injustiça, da ilegalidade", prosseguiu o advogado. Ainda sobre os prazos: "Isto não são brincadeiras. As instituições é que se entretêm a brincar com isso. Isto não é brincadeira nenhuma".