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Portuguesa morre em queda de avião argentino no Uruguai

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Marta Vieira Pires, de 41 anos, viajava com sete colegas argentinos num pequeno avião que acabara de partir de Punta del Este, no Uruguai, rumo a San Fernando, na periferia norte de Buenos Aires. Ninguém sobreviveu à queda. Aparelho já tinha protagonizado uma aterragem forçada em 2013.

Um avião argentino caiu na noite desta quinta-feira, logo depois de descolar do aeroporto de Laguna del Sauce, na cidade uruguaia de Punta del Este. A aeronave terá explodido no ar e o forte estrondo foi ouvido por moradores da área e pela torre de controlo do aeroporto.

Logo após a queda numa lagoa, o avião ficou submerso pela metade, com as chamas a consumirem a parte visível do aparelho. Todas as 10 pessoas que viajavam a bordo morreram, entre as quais a portuguesa Marta Vieira Pires, de 41 anos.

Marta Pires mudou-se para Buenos Aires há cerca de 10 anos, para trabalhar no  sector cultural da Embaixada portuguesa na Argentina. Também dirigiu o Instituto Camões. Mais tarde, atingida pelo corte de pessoal verificado em muitas Embaixadas portuguesas devido a cortes orçamentais, Marta Pires permaneceu em Buenos Aires por conta própria e passou a trabalhar na organização de eventos, exposições e espetáculos.

Na sua página no Facebook, Marta Pires escreveu esta quinta-feira que embarcava no aeroporto argentino de San Fernando, na periferia de Buenos Aires, de onde partem voos privados. Duas horas depois, a sua mãe Romi Vieira surpreende-se com a viagem e pergunta: "Vais viajar?".

A partir da uma da manhã desta sexta-feira (4h em Lisboa), quando o nome de Marta foi divulgado pelas autoridades uruguaias, os amigos entram em comoção. Incrédulos, entre o espanto e a dor, as expressões de tristeza sucedem-se enquanto os noticiários argentinos e uruguaios repetem a notícia.

Um elemento da equipa de resgate das vítimas descreve a primeira informação que confirmava a tragédia: Estou em comunicação com o comissário que está na zona e que me confirma impacto fatal, tudo carbonizado". Um outro elemento superior explica a impossibilidade para descer no local de helicóptero, devido às chamas. "O helicóptero mantém-se (parado no ar) porque não pode descer a escada, devido o fogo. Não use a escada. Temos um especialista na zona de aterragem", avisa.

O avião, um Beech B-90, caiu às 20h37 locais (23h37 em Lisboa) numa zona de difícil acesso a norte do aeroporto. Levava oito passageiros e dois pilotos, todos argentino à exceção de Marta. Depois de ter partido originalmente de San Fernando, na Argentina, rumo a Punta del Este, no Uruguai, o voo fatal regressava ao seu local de origem.

Os passageiros integravam um grupo que controla o centro de Convenções "La Rural", em Buenos Aires. Formavam parte da equipa de gestão encarregada de pôr em marcha um centro de convenções em Punta del Este. Tinham partido de manhã para o Uruguai, para uma reunião de trabalho, e ao fim do dia estavam de volta a casa.

"Às 20h45 começou a operação de resgate. Localizamos o avião semissubmerso, já em chamas na parte posterior da fuselagem que ficou descoberta. Já encontramos sete corpos do lado de fora e continuamos com a busca dos outros três que estão no interior da aeronave, muito afetados pelo fogo. Tivemos dificuldades para ter acesso à zona. Foi necessário usar uma embarcação. Há combustível ao redor da aeronave, que caiu com um giro de 180 graus, apontando em direção ao aeroporto de onde partiu", disse ao Expresso o responsável pelas Relações Públicas do Corpo de Bombeiros, Leandro Palomeque.

As tarefas de resgate dos corpos foram interrompidas por falta de visibilidade até as 7h da manhã (10h em Lisboa).

O pequeno avião, construído em 1969, pertencia à empresa de táxi aéreo argentina Aviajet. Em novembro de 2013 tinha protagonizado uma aterragem forçada no aeroporto de San Fernando, em Buenos Aires, onde desceu com o trem de aterragem recolhido. Os danos na ocasião foram menores.