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Porto. App que ajuda a salvar vidas junta Figo e infanta Elena

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FOTO RUI DUARTE SILVA

Infanta Dona Elena de Borbón e Luís Figo estiveram presentes na Faculdade de Medicina do Porto na apresentação da aplicação CPR11, uma app gratuita para telemóveis e tablets que ensina a reanimar atletas vítimas de morte súbita. 

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A dois meses de saber se será eleito presidente da FIFA, Luís Figo deslocou-se ao Porto para participar no lançamento de uma aplicação inovadora para telemóveis que, em 11 passos, ajuda a salvar vidas de vítimas de morte súbita, uma situação dramática que ocorre, em média, uma vez por mês em recintos desportivos de desportos federados a nível mundial. 

Presente na campanha "Joga Seguro - Tu podes salvar uma vida" esteve ainda a irmã mais velha do rei de Espanha, a infanta Elena, diretora de projetos da Fundação MAPFRE, entidade responsável pelo desenvolvimento da app CPR11 em conjunto com centros médicos certificados pela FIFA, entre os quais a Sociedade Espanhola de Medicina, a Clínica do Dragão e Ripoll y De Prado Sport Clinic. 

O candidato à liderança da FIFA apenas acedeu a responder a questões na condição de embaixador da nova app, de que é associada a Fundação Luís Figo. Para Figo, que afirmou ter aceitado o convite de embaixador da causa da prevenção da morte súbita a pedido de Luís Serratoda,  ex-responsável pelo departamento médico do Real Madrid, "não se devem poupar esforços quando falamos de saúde e de vida". 

O Bola de Ouro de 2000 referiu ainda que o desporto, e em particular o futebol, voltaram "a dar uma prova do tamanho da sua generosidade e responsabilidade", aludindo à pronta adesão de jogadores e ex-jogadores à campanha "Joga Seguro", como Pepe, Vítor Baía, Domingos, Nuno Gomes ou André André. 

Na Aula Magna da Faculdade de Medicina do Porto, Figo revelou que uma das filhas sonha ser médica, aproveitando para "meter uma cunha" a Amélia Ferreira, após a diretora da instituição ter aproveitado a ocasião para recordar que o curso de medicina da Universidade do Porto "é o melhor do país".  

A app CPR11 disponibiliza 11 passos capazes de ajudar a reanimar uma vítima de paragem cardiorrespiratória súbita, incluindo manobras de suporte básico de vida e de uso de desfibrilhador automático. A aplicação é gratuita, podendo ser descarregada para dispositivos Android, iOS e Windows Phone e é dirigida em especial a jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes e familiares de atletas.

De acordo com Hélder Pereira, coordenador da aplicação CPR11 e diretor de pesquisa clínica em centros médicos da FIFA de Portugal e Espanha, a inovação tecnológica foi o resultado de um trabalho de dois anos de estudo e de validação com o departamento de Medicina de Emergência da FIFA.  

"O que se pretendeu foi dotar a sociedade de um mecanismo prático e grátis que permita aos não-profissionais atuar em situações de risco e em que cada segundo importa para salvar uma vida", adiantou ainda Hélder Pereira.   

Um caso fatal por mês

No universo do futebol a nível mundial, com mais de 376 milhões de jogadores federados, estudos recentes apontam para uma incidência de morte súbita de um em cada 50 mil atletas, registando-se em média um caso fatal por mês entre os profissionais de futebol. 

Apesar da inexistência de números oficiais sobre os casos de morte súbita no desporto em Portugal, a Fundação Portuguesa de Cardiologia estima que a morte súbita por paragem cardíaca atinja os 20% do total de mortes, com uma incidência de cerca de uma por 1000 habitantes / ano. O equivalente, de acordo com dados de 2010 da Associação Portuguesa de Arritmologia, a 27 vítimas mortais por dia. 

Embora a prática desportiva seja uma prática saudável, o desporto de competição é um fator que aumenta o risco de paragem súbita cardíaca, razão pela qual todos os atletas, mesmo os muito jovens, devam ser submetidos a exames médicos periódicos cardiológicos e de avaliação de antecedentes familiares, antes de iniciarem um desporto regular.   

A aplicação CPR11 foi lançada em Espanha em dezembro de 2014, tendo contado como embaixadores da iniciativa o antigo treinador do Benfica José António Camacho e Sergio Ramos, do Real Madrid, entre outros. Até ao final do ano, esta ferramenta será ainda lançada em Inglaterra, França e Brasil. 

 

11 PASSOS QUE AJUDAM A SALVAR UMA VIDA

1 Rápido reconhecimento do colapso do atleta

2 Avaliar e colocar a boca para cima

3 Pedir ajuda

4 Se a vítima de paragem cardiopulmonar não respirar, iniciar as compressões torácicas

5 Técnica de compressão torácica

6 Técnica de ventilação (30 compressões, seguidas de insuflação boca a boca)

7 Utilização de DEA (desfibrilhador automático)

8 Se não for necessário descarga

9 Continuar com suporte básico de vida (reanimação cardiopulmonar) sem interrupção até à chegada dos serviços de emergência médica

10 Imobilização e transporte

 

11 Se o jogador respirar, colocar em posição lateral de segurança