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PJ investiga ataque informático a sites oficiais de justiça

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NICHOLAS KAMM / AFP / Getty Images

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o alegado ataque informático ocorrido nesta madrugada nas páginas oficiais de vários organismos, entre os quais do Citius, do Conselho Superior de Magistratura (CSM) e da PJ. A operação tem o nome de "Tango Tango Tango Down - 25 de abril (apagão nacional)" e é reivindicada pelo grupo Anonymous Portugal.

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar o alegado ataque informático ocorrido nesta madrugada às páginas oficiais de vários organismos, entre os quais do Citius, do Conselho Superior de Magistratura (CSM) e da própria PJ, avança a Lusa.

Além de ter afetado as páginas oficiais daqueles três organismos, o grupo Anonymous Portugal alegadamente terá divulgado os nomes de 1.300 juristas da Procuradoria-Geral da República, dados de magistrados (nome, número de telemóvel e dados pessoais) e identifica José Souto Moura como Procurador-Geral da República, magistrado que dirigiu aquele organismo, atualmente chefiado por Joana Marques Vidal.

Contactado pela Lusa, o diretor da Unidade de Crime Informático da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, afirmou ter "conhecimento da situação" e estar "a trabalhar em cima dos factos", escusando-se a avançar mais comentários.Na operação intitulada "Tango Tango Tango Down - 25 de abril (apagão nacional)", o grupo Anonymous divulgou também endereços de e-mails da EDP e das Águas de Portugal, tendo, neste último caso, substituído a imagem oficial da página pela de um cravo vermelho e divulgado a mensagem "Águas de Portugal é um prazer expor os vossos dados (...).Pode ser que baixem as tarifas da água".

Contactada pela Lusa, fonte oficial da EDP nega ter havido algum ataque aos sistemas da empresa, salientando que os e-mails divulgados eram todos públicos, que não foram divulgados quaisquer dados confidenciais e que a página oficial não foi afetada. A Lusa tentou falar com a Águas de Portugal e com a Procuradoria-Geral da República, sem sucesso.

Sites já estão a funcionar normalmente

Entretanto, todas as páginas que estiveram inacessíveis já estão operacionais, tendo o site da Águas de Portugal sido o último a ficar novamente ativo.

Os Anonymous associaram a esta operação, que começou a partir da meia-noite, mensagens como "O governo devia ter medo do povo e não o povo medo do Governo" e "Basta de roubos aos mais carenciados, basta de mentiras".

Na primeira mensagem divulgada pelos Anonymous Portugal, lia-se "Hoje é o dia!", com uma imagem do então capitão Salgueiro Maia e a frase "Às vezes é preciso desobedecer".

A Lusa constatou ainda, na página dos Anonymous no Facebook, que o símbolo do Partido Socialista foi manipulado, com o punho fechado a ficar com o dedo médio esticado, e com uma legenda "Fuck You Partido Socialista". Foi também divulgada uma foto, alterada com um "bigode Anonymous", do procurador Pedro Verdelho, que teve já os seus dados expostos em 25 de abril de 2014 e que tem a seu cargo o processo da 'Operação Caretos', que visou desmantelar um grupo de alegados piratas informáticos, suspeitos de serem responsáveis por ataques a páginas Internet do Estado e de empresas privadas. 

O grupo português partilhou também uma mensagem publicada originalmente pelo "Anonymous Around de World" sobre o Clube Millennium BCP, com uma extensa lista de nomes e endereços de sócios.