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Odisseia no espaço. Russo e americano vão viver um ano longe da Terra

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Missão inédita da NASA e Agência Espacial Federal Russa na Estação Espacial Internacional é a mais longa de sempre e pretende estudar as reações do corpo humano, quando submetido a um longo período no espaço. Os escolhidos? Os astronautas Scott Kelly e Mikhail Kornienko.

"Imagina que vais trabalhar para o teu escritório e tens que ficar nesse lugar durante um ano, sem sair daí. É um desafio e tanto!" As palavras dirigidas à Associated Press são de Mark, irmão gémeo de Scott, o astronauta americano que partiu esta sexta-feira, juntamente com o russo Mikhail Kornienko, rumo à Estação Espacial Internacional, onde irão viver durante um ano.    

Scott Kelly, de 51 anos, e Mikhail Kornienko, de 54, foram os escolhidos para embarcarem nesta missão conjunta da NASA e da Agência Espacial Federal Russa, Roscosmos, que tem lugar na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla inglesa). A bordo da nave russa Soyuz TMA-16M, os dois astronautas descolaram este sábado (sexta-feira, em Portugal) da base de lançamento espacial de Baikonur, no Cazaquistão, aterrando em segurança na ISS, seis horas depois. O vídeo que aqui partilhamos mostra o momento da descolagem da nave espacial.

Com os dois astronautas ia também o russo Gennady Padalka, que irá permanecer na ISS apenas seis meses. Este é, aliás, o período de tempo mais comum para este tipo de missões, mas Scott e Mikhail irão ficar - pela primeira vez na história da NASA - durante um ano na estação espacial.

Os dois farão parte de uma investigação conjunta da NASA e Roscosmos, que pretende compreender de que forma o corpo humano se adapta e reage a um período tão longo no espaço, de modo a reduzir riscos de missões futuras. A missão conta ainda com a ajuda, na Terra, do gémeo de Scott, Mark Kelly - que, por ter a mesma genética que o irmão, irá servir para de comparação a Scott para detetar eventuais alterações físicas, psicológicas ou moleculares.

"A gravidade zero, a radiação, o isolamento e o confinamento são alguns dos fatores que podem afetar um astronauta no espaço", afirmou em comunicado o cientista da NASA, Craig Kundrot. 

Com um currículo de 176 dias no espaço, Mikhail Kornienko serviu a estação espacial como engenheiro de bordo em duas expedições anteriores ao ISS. Já Scott Kelly contabiliza um total de 180 dias no espaço em missões anteriores (sendo a sua última, a expedição que comandou em 2011 à ISS) e, se esta experiência chegar a bom porto, será o primeiro americano a permanecer tanto tempo seguido no espaço. No entanto, o recorde é de um astronauta russo: Valeri Polyavok, que na década de 90, esteve mais de um ano consecutivo na estação espacial Mir.