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O jogador católico que se tornou muçulmano

Educado na fé católica o jogador de futebol Abel Xavier cedo sentiu afinidades com o Islão. Recentemente mudou de nome e tornou-se muçulmano.

Cândida Santos Silva (www.expresso.pt)

O ISLÃO começou por ser uma curiosidade. Os sons das cerimónias acalmavam-no. E também lhe davam bem-estar. Hoje é uma certeza. Abel Xavier, futebolista, modelo, o negro de carapinha loura, é também o mais famoso muçulmano português. Em Dezembro, numa conferência de imprensa nos Emirados Árabes Unidos, anunciava, com estrondo, a sua nova fé e o seu novo nome, Faisal. Lá longe, no deserto, todos o tratam por Faisal - nome de um rei árabe, que significa "a espada que espera o bem e o mal" -, cá continua a responder por Abel Xavier. "Podem chamar-me Abel, Faisal, ou Abel Faisal Xavier." No fundo, quis manter o mesmo nome. Mas ser reconhecido por um nome histórico no Islão - que lhe foi atribuído pelo irmão do rei dos Emirados, que o baptizou - encheu-o de orgulho. "Escolheram-me um nome muito importante, e isso deu-me muito alegria."

Quem esperava que a sua conversão lhe mudasse a aparência enganou-se: "Aceito que sou uma contradição entre aquilo que se vê e aquilo que sou. Mas não irei mudar. Poucas pessoas me conhecem interiormente. A aproximação ao Islão deu-me força para lutar contra tudo o que aconteceu, desde os castigos no futebol até à separação da minha mulher."

Se há quem julgue que mudar de religião pode ser mais uma excentricidade de alguém que gosta de dar nas vistas, engana-se. "Isto é mais profundo." O jogador, que começou no Estrela da Amadora e em 1995 iniciava o seu percurso em clubes estrangeiros, vivia em efervescência. Tinha um vulcão dentro de si que um dia transbordou. "A minha identificação com o Islão começou em 2003, quando joguei no Galatasaray, na Turquia, e vivi numa comunidade islâmica. Esse foi o ano da viragem na minha vida. Mas sempre tive uma profunda curiosidade sobre o mundo árabe. Não posso esquecer que nasci em Moçambique, que tem vinte milhões de habitantes, dos quais seis milhões são muçulmanos. E parte da minha família também o é."

Educado na fé católica, "porque é normal que os filhos sigam a educação dos pais", foi nas suas viagens, com a sua vida fora de Portugal e, sobretudo, "nos momentos de adversidade, quer na carreira, quer na minha vida privada, que o mundo islâmico fez cada vez mais sentido. Nele encontrei paz e equilíbrio". Para já, Faisal está numa fase de aprendizagem. Quer conhecer tudo aquilo que está por detrás da religião e da cultura. Quer aprender árabe. Há hábitos que está a tentar adquirir como muçulmano, a começar pelos cinco momentos diários em que terá de rezar. Abraçar a região islâmica é também a oportunidade de se envolver em causas humanitárias. "Quero aproveitar a minha imagem, a minha força, para contribuir para grandes causas no mundo, para ajudar não uma ou duas, mas milhões de pessoas." Abel Luís da Silva Costa Xavier, por baptismo, Abel Xavier, nome de estrela de futebol, ou Faisal promete respeitar tudo aquilo que a sua conversão implica. "Por isso, irei a Meca e cumprirei o Ramadão