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Nove dias com perna partida à espera de cirurgia

Mulher de 46 anos está desde 25 de fevereiro internada no Hospital Amadora-Sintra com fratura grave numa perna. Operação tem sido sucessivamente adiada por falhas diversas.

Uma funcionária da Escola Ferreira de Castro, em Mem Martins, sofreu uma queda no dia 25 de fevereiro enquanto trabalhava e foi assistida no Hospital Amadora-Sintra, mas ainda aguarda pela cirurgia considerada necessária pela equipa médica.

A mulher, com 46 anos, sofreu uma fratura grave na tíbia, perónio e nas articulações do maléolo. O marido da doente conta ao Expresso que a operação já esteve prevista para os dias 26 e 28 de fevereiro e para 3 de março, mas foi sempre adiada por "falta de coisas que deviam estar preparadas e não estão", afirma. Hoje à tarde está novamente agendada a ida da doente ao bloco.

Desempregado e com três filhos a cargo, o marido da vítima diz que as dificuldades começaram logo na admissão da mulher no dia da queda. "A situação foi considerada grave e complicada, mas foi-nos dito que teríamos de esperar, porque não havia vaga. Poderíamos ir para outro hospital sem qualquer problema." 

A transferência não estava, contudo, ao alcance do casal. "O seguro de acidentes de trabalho só cobre na totalidade se fosse no Amadora-Sintra. Temos três filhos e estou desempregado e essa opção não nos serviu", explica o marido. Daí em adiante, os problemas sucederam-se.

"No dia 26 iniciou o jejum para ser operada, levaram-na e já tinha passado para dentro do bloco operatório quando anularam a operação. Primeiro informaram que não havia elementos suficientes de enfermagem, mas mais tarde soube que foi por não haver vaga na ortopedia para o pós-operatório."

A doente passou os dias seguintes "entre a sala de recobro e o corredor, no meio de vários feridos, durante três dias". Foi internada no serviço de ortopedia B no dia 27 e informada de que a cirurgia seria no dia seguinte. Voltou a ser adiada, para 3 de março. "Nesse dia, esteve com indicação de jejum e às oito da noite disseram-lhe que já não seria operada. A nova marcação é para hoje, à tarde", desabafa o marido.

Através do gabinete de comunicação, os responsáveis do hospital atribuem o caso ao aumento inesperado da procura de cuidados de ortopedia.

"A senhora deu entrada na urgência com uma dupla fratura (perónio e tíbia). Estabilizada, veio engrossar uma lista de 18 fraturas idênticas existentes no hospital. Desde o dia 25 até hoje, entraram 52 doentes com traumatologia grave a necessitar de intervenção cirúrgica e, ainda assim, no espaço de uma semana conseguimos operar 28 doentes até ontem. E asseguram: "Hoje vão ser operados mais quatro, onde se inclui a senhora".

A administração do hospital salienta ainda que os médicos garantem que a doente "não terá quaisquer sequelas por esta demora", recordando até que "há dez anos, fraturas desta natureza esperavam três semanas até à operação".

Para evitar situações idênticas no futuro, os gestores da unidade explicam que seriam necessários "o dobro da capacidade e um bloco operatório só para ortopedia".