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Nova carta de Sócrates. "O sistema vive da cobardia dos políticos"

Lucília Monteiro

Na quarta vez que falou no espaço de dez dias a partir da prisão de Évora, José Sócrátes critica o "sistema de cobardia dos políticos, a cumplicidade de alguns jornalistas e o cinismo dos professores de Direito". Trata-se de uma carta manuscrita, por diversas vezes rasurada e enviada ao Diário de Notícias, que a publica na edição de hoje. 

Na quarta vez que fala publicamente desde que há dez dias está detido em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora, José Sócrates enviou uma carta ao Diário de Notícias, criticando o "sistema de cobardia dos políticos". 

Escreve Sócrates: "O sistema vive da cobardia dos políticos, da cumplicidade de alguns jornalistas, do cinismo dos professores de Direito e do desprezo que as pessoas decentes têm por tudo isto. De resto, basta-lhes dizer: "Deixem a justiça funcionar".

Na carta manuscrita a tinta vermelha, por diversas vezes rasurada e com três páginas, Sócrates comenta:"Prende-se principalmente para despersonalizar. Não, já não és um cidadão face às instituições, és um "recluso" que enfrenta as "autoridades": a tua palavra já não vale o mesmo que a nossa. Mais do que tudo - prende-se para calar".

E acrescenta: "E - suprema perfídia - invoca-se, para assim proceder, as regras do Direito, a legitimidade da democracia. "As instituições estão a funcionar."

No dia em que a carta chegou ao DN, o Supremo Tribunal de Justiça recusou o pedido de Habeas Corpus, revelando no acórdão que o o ex-primeiro ministro também está indiciado por corrupção ativa, sendo suspeito de ter oferecido vantagens financeiras a determinadas pessoas já depois de ter exercido o cargo de primeiro-ministro.

O acórdão do Supremo remete para documentos relevantes, entre os quais o mandado de detenção contra Sócrates e o despacho do juiz de instrução sobre medidas de coação. Nos dois documentos é referido que o ex-primeiro-ministro está indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, corrupção passiva para ato ilícito, corrupção passiva para ato lícito e corrupção ativa.