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Notas são mais inflacionadas em colégios do Porto

Externato Ribadouro, no Porto, é um dos estabelecimentos onde as notas dadas aos alunos mais se afastam das que eles conseguem ter nos exames nacionais

FOTO RUI DUARTE SILVA

Dois investigadores compararam as notas atribuídas pelas escolas e as notas que os respetivos alunos tiveram nos exames nacionais do secundário, ao longo de 13 anos. As privadas apresentam os maiores desvios face à média nacional.

Isabel Leiria e Raquel Albuquerque (textos) e Sofia Miguel Rosa (infografia)

Se houvesse um "ranking" da inflação das notas internas, os colégios privados, sobretudo os da área metropolitana do Porto, dominavam a lista. Foi essa a conclusão a que chegaram Gil Nata e Tiago Neves, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) da Universidade do Porto, que se têm dedicado ao estudo deste fenómeno. 

No ano passado, a partir de uma análise a três milhões de classificações em exames e notas internas, entre 2001 e 2012, chegaram à conclusão que os estabelecimentos de ensino privado são os que mais inflacionam os resultados, em comparação com as escolas públicas e mesmo com os colégios que têm contrato de associação. 

Agora, num estudo a que o Expresso teve acesso, atualizaram a análise a 2013/2014 e trabalharam os dados escola a escola. O que permitiu concluir que, ao longo de 13 anos, há estabelecimentos de ensino - a esmagadora maioria privados e concentrados na área metropolitana do Porto - que se repetem no topo do ranking da inflação ao longo de 13 anos.

O problema, apontam, é que as classificações do secundário contam 50% a 65% para o cálculo da nota de candidatura. Os investigadores fizeram as contas e concluíram que nos cursos que exigem médias mais altas (como Medicina ou Arquitetura), o impacto de se ter mais um valor na nota de candidatura significa subir 80% a 90% na lista de acesso desses cursos. Mesmo 0,5 valores a mais conduzem a um salto de 50% a 60%. 

"A leitura destes dados é extremamente preocupante, já que se verifica que, ano após ano, há escolas que inflacionam 1 ou 2 valores acima do desvio médio nacional", alertam Gil Nata e Tiago Neves. E, só por isso, um aluno pode entrar num curso e outro ficar à porta. "Uma tremenda fonte de injustiça", criticam. 

Para esta análise, os dois investigadores não se limitaram a calcular em quanto as notas dadas pelos professores, como resultado do trabalho feito pelo aluno ao longo do ano, se afastam da média obtida por eles nos exames. Assumindo que existe uma diferença que é normal, calcularam qual o valor médio, a nível nacional, desse desvio. Por exemplo, os alunos que tiveram 10 no exame, que média tiveram na escola? E os de 12? A partir daí, mediram quanto é que cada escola se afasta para cima (inflação) ou para baixo (deflação) dos desvios médios.

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