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Notas das especialidades médicas com dois meses de atraso

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As notas para os médicos internos poderem escolher a especialidade médicas inseridas no concurso B deviam ter saído em janeiro.

Carolina Reis e Valdemar Cruz

Pedro (nome fictício) quer trocar a especialidade em que se formou. Passou um ano a estudar para fazer um exame de seriação e ficou, ansiosamente, à espera de 21 de janeiro, o dia em que a nota referente ao concurso B - destinado a quem, estando já numa especialidade, pretende mudar para outra ou de local onde está a especializar-se  - deveria ter sido publicada. Dois meses depois ainda não sabe de nada, mas sabe que deveria começar a trabalhar a 1 de abril num novo local. 

Contactado pelo Expresso, o gabinete do Internato Médico da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) diz que não sabe quando serão divulgadas as classificações.

"É um desrespeito enorme. As notas não saíram e não fazem ideia de quando vão sair. Não percebo como é que um exame de leitura ótica leva quatro meses a corrigir", diz Pedro.

Ao mudarem de especialidade, os residentes podem também ter de mudar de cidade, o que se torna mais complicado se só conhecerem as notas em cima da hora, ou seja, muito perto de dia 1 de abril. É com estas classificações que os jovens médicos têm acesso ao mapa de vagas. 

Atrasos repetem-se

No final do ano passado foi vivido um problema similar por mais de 1600 jovens médicos. Primeiro, foram as notícias de que perto de 200 estariam em risco de não ter acesso a qualquer vaga para a espcialização.

Depois, foi o atraso no processo de escolha para o concurso A. Por norma é feito nos primeiros dias de dezembro, até para permitir aos novos internos terem tempo para se organizarem. Um número muito significativo destes jovens médicos acaba por ir parar a locais distantes da residência habitual, o que obriga a um por vezes complexo processo com vista a escolha e fixação de uma nova residência.

Desta vez, porém, o processo de escolha foi atrasado até o limite e quando finalmente surgiu luz verde, foram dados apenas três dias para os mais de 1600 candidatos a iniciar uma especialidade concluirem um processo de escolha que costuma ser feito numa semana.

Aquela escolha tem como base os resultados do chamado exame do "Harrison". O único objetivo desta prova é estabelecer uma seriação nacional dos novos médicos, de modo a ordená-los no processo de escolha das especialidades. É um exame polémico e existem várias propostas para a sua revisão, até porque faz com que o acesso à especialidade seja feito sem ser levado em conta o que possam ter sido as classificações finais de curso de cada um dos candidatos. 

Em cima da mesa continua a estar o problema do continuado aumento de lugares nos cursos de medicina, visto ser cada vez mais consensual que não existem hospitais ou centros de saúde com capacidade para os receberem e formarem. "É uma tarefa hercúlea andar a descobrir vagas", admite José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos.

O gabinete de comunicação da ACSS ainda não esteve disponível para esclarecer mais questões.