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Na íntegra. O vídeo de Lewinsky, a "paciente zero" do cyberbullying

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Dezassete anos depois de o seu caso com Clinton se ter tornado público, Lewinski falou em público sobre as consequências do ciberbullying. Palavras já são virais há alguns dias e agora há vídeo na íntegra das palavras de uma mulher cujo nome faz parte de "quase 40 músicas rap".

Depois de acabar a faculdade, Mónica Lewinsky foi estagiar para a Casa Branca e pouco tempo depois envolveu-se amorosamente com o seu "patrão", o então presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton. Muitos anos depois, a voz da "quarentona" Mónica quebrou o silêncio durante uma conferência do Ted Talk, em Vancouver: o evento decorreu na semana passada, as palavras tornaram-se virais e o vídeo integral acaba de ser disponibilizado, no qual Lewinski intervém contra o cyberbullying.

"Muitas outras pessoas apaixonam-se pelos seus patrões, mas de certeza que esses patrões não são o Presidente." Lewinsky tornou-se sinónimo de muitas palavras depreciativas, fazendo parte de "quase 40 músicas rap". 

Muitos anos depois, "a paciente zero" do cyberbullying resolveu quebrar o silêncio. A agora "quarentona" Lewinsky faz-se ouvir e dá lições de moral contra o assédio online. 

Quando a sua história apareceu em 1998, "foi uma das primeiras vezes em que a notícia tradicional foi sequestrada pela internet", disse Lewinsky ao seu público na sala de conferências do TED. 

Apesar de naquela altura não existirem redes sociais, havia sites onde este tipo de histórias encontravam alojamento. O vídeo de Lewinsky a usar uma boina negra enquanto abraçava em público Bill Clinton tornou-se viral. Podia ser partilhado através de e-mails e permitia comentários online para toda a gente ler, rir e fazer juízos de valor "às custas do sofrimento dos outros". 

"De pessoa privada, tornei-me numa figura publicamente humilhada em todo o mundo", explica Mónica Lewinsky. "Há 17 anos não havia definição para isso, mas hoje chamamos-lhe de 'cyberbullying' ou 'assédio online'". 

Com o público visivelmente emocionado, Lewinski partiu da sua história particular para outras semelhantes. Contou o caso de Tyler Clement, um jovem estudante de Nova Jérsia que se suicidou depois do seu colega de quarto ter divulgado um vídeo onde se via Tyler a ter relações sexuais com outro homem. 

Mónica Lewinski explicou que foi precisamente esta história que a fez recontextualizar as suas experiências e começar a ver o mundo da humilhação de um outro ângulo. 

"Todos os dias há pessoas - especialmente jovens que não têm maturidade para lidar com este tipo de problemas - que sofrem tantos abusos e humilhações online que sentem não poder aguentar uma vida assim nem mais um dia. E alguns não conseguem mesmo." 

Lewinski chamou a atenção para o facto de vivermos "uma cultura de humilhação", onde o cyberbullying tornou-se "uma atividade económica": "Quanto mais humilhação, mais cliques e quanto mais cliques, mais dólares são ganhos com a publicidade". 

A "paciente zero" do cyberbullying incita as pessoas a lutar contra esta tendência e ajudar com gestos tão simples como "escrever um comentário positivo" e superar a "apatia do observador". 

Lewinski termina o seu discurso ao recordar a importância da responsabilidade da liberdade de expressão: "Todos queremos ser escutados, mas temos de diferenciar entre falar com um objetivo e falar só porque queremos atenção".