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Motorista de Sócrates vai dizer mais do que disse até agora

Da primeira vez que foi ouvido, João Perna disse que nunca teve consciência de estar a entregar dinheiro a José Sócrates

Rui Valido

João Perna volta a ser interrogado esta quinta-feira de manhã, depois de ter mostrado disponibilidade para falar.

A reação do Ministério Público ao pedido apresentado esta semana pela defesa do motorista de José Sócrates foi rápida. O advogado de João Perna entregou na terça-feira um requerimento no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) para a sua libertação imediata e o procurador Rosário Teixeira marcou logo uma nova sessão de interrogatório para ouvi-lo pela segunda vez.

Ricardo Marques Candeias confirmou ao Expresso que o seu cliente demonstrou vontade de falar mais do que falou quando foi ouvido logo após a sua detenção, a 20 de novembro.

É essa disponibilidade do motorista do ex-primeiro-ministro, exposta no requerimento entregue pela defesa, que terá levado Rosário Teixeira a convocar o arguido. João Perna foi chamado a comparecer esta quinta-feira de manhã, às 10h, na sede do DCIAP, na rua Alexandre Herculano, em Lisboa, sendo transportado num carro celular desde as instalações do estabelecimento prisional anexo à Polícia Judiciária, a menos de um quilómetro de distância, onde se encontra em prisão preventiva há três semanas.

Da primeira vez que foi ouvido, João Perna disse que nunca teve consciência de estar a entregar dinheiro ao seu patrão. O Ministério Público alega que o motorista servia de pombo-correio entre o empresário da construção civil Carlos Santos Silva, um amigo de longa data de José Sócrates, e o ex-primeiro-ministro, sendo cúmplice nos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, já que teria ajudado a dissimular dinheiro que tinha como origem supostos atos de corrupção cometidos pelo antigo governante socialista.

O advogado do motorista não quis, no entanto, esclarecer sobre o que é que João Perna poderá acrescentar relativamente à primeira vez que foi ouvido. Essa primeira sessão decorreu na presença do juiz de instrução criminal Carlos Alexandre e com a defesa do arguido a ser assegurada, na altura, pelo escritório Uría Menéndez, de que é sócio Daniel Proença de Carvalho, o advogado habitual de José Sócrates.

Quer Santos Silva quer Sócrates estão ambos indiciados por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. O Ministério Público acredita que parte, pelo menos, de 23 milhões de euros acumulados pelo empresário da construção civil até final de 2009 no banco UBS, na Suíça, seriam, afinal, do ex-primeiro-ministro. E que resultariam de 'luvas' recebidas enquanto Sócrates esteve à frente do Governo.

O novo interrogatório acontece depois de João Perna ter chegado a partilhar uma cela com Carlos Santos Silva e quando já foi tornado público (numa notícia do "DN") que o amigo de Sócrates admitiu, perante o procurador Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre, ter entregue dinheiro ao ex-primeiro-ministro.