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Morreu um dos escritores mais lidos no Reino Unido. Tinha Alzheimer, mas não parou de escrever livros

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Terry Pratchett escreveu mais de 70 livros durante a sua carreira. Era um defensor da eutanásia e lutou para que fosse legalizada no Reino Unido.

Terry Pratchett, que no virar do século era o segundo escritor mais lido do Reino Unido, faleceu esta quinta-feira vítima de uma variante precoce e rara da doença de Alzheimer, diagnosticada em 2007. O autor de livros de fantasia morreu na sua casa, aos 66 anos, com o seu gato perto dele na cama e rodeado pela sua família, referiu a editora à qual pertencia, a Penguin Random House.

Apesar de a doença rara - atrofia cortical posterior, um tipo de demência que afeta o cortéx cerebral - lhe ter sido diagnosticada em 2007, Terry Pratchett continuou a escrever e completou no verão passado o 41º volume da saga "Discworld". O próprio autor chegou a afirmar que era possível sofrer de demência e continuar a escrever bestsellers. Larry Finlay, membro da editora à qual Pratchett pertencia, salientou que o escritor lutou contra a doença de uma forma "brava" e que, nos últimos anos, a escrita era o seu refúgio. 

Uma das personagens mais emblemáticas da saga "Discworld" era a Morte, que apareceu logo nos primeiros volumes na figura de um esqueleto que ceifava vidas. Na conta Twitter do escritor há uma referência a essa personagem quando a notícia da sua morte foi dada.

Terry took Death's arm and followed him through the doors and on to the black desert under the endless night.

— Terry Pratchett (@terryandrob) 12 março 2015

Terry Pratchett era um defensor da eutanásia. Três anos depois de lhe ter sido diagnosticada a doença, afirmou que quando se sentia deprimido pensava no futuro. Um futuro que não era "auspicioso" e que não queria. "Nos tempos que correm, não devíamos sentir receio pelo que aí vem. Devíamos sim poder escolher de que forma queremos morrer e em que circunstâncias", acrescentou.

Durante os seus 30 anos de carreira, o escritor escreveu mais de 70 livros, todos eles no género de fantasia. Quando estava no pico da sua carreira, Pratchett chegou a publicar mais de três livros por ano e, no virar do século, foi o segundo autor mais lido do Reino Unido, ficando atrás da autora dos livros da saga Harry Potter, J.K. Rowling. Ficou conhecido pela ironia e humor que colocava na sua escrita fantasiosa, contando sempre com os seus feiticeiros, que Pratchett utilizava para satirizar o mundo contemporâneo. 

Sabias que um homem? Para muitos fãs dos livros de Therry Pratchett, a sua escrita era engraçada, irónica e ácida. Foi companhia de muitos leitores, que afirmam ter encontrado através dos seus livros um novo universo de fantasia, utilizado para abordar temas como o amor, a morte, a religião e política, com profundidade e, acima de tudo, com humor. Como pessoa, Pratchett era conhecido pela sua mente brilhante e criativa.

O seu gosto pela escrita vem desde pequeno. Aos 13 anos, Pratchett publicou a sua primeira história, "Tha Hades Business", na revista da sua escola. Foi publicada comercialmente quando tinha 15 anos. Enveredou pelo mundo do jornalismo antes de se tornar num conceituado escritor de fantasia. Um dos seus primeiros trabalhos foi no jornal "Bucks Free Press", em 1965, onde escrevia histórias para crianças, numa secção intitulada "Uncle Jim".

A paixão pela escrita de histórias nunca o abandonou e, no início dos anos 70, deslocou-se a uma editora com um manuscrito "The Carpet People", que foi publicado em 1971. Foi o início da sua longa carreira enquanto escritor de fantasia.

Em 1983 deu início ao seu trabalho mais notável, "Discworld", que abrange 41 volumes, traduzidos em 37 línguas. Foram vendidos mais de 85 milhões de exemplares em todo o mundo, até ao momento.

Na rede social Twitter são muitos os tributos que fazem ao escritor que tornou uma frase célebre: "Sabias que um homem não morre enquanto o seu nome continuar a ser mencionado?".