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Morreu Roger Garaudy

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Roger Garaudy deixou mais de 50 livros publicados, a maioria dos quais durante a sua fase de pensador marxista

Getty Images

Resistente antinazi, dissidente comunista e, ultimamente antissionista e propagandista muçulmano, Roger Garaudy morreu em Paris, com 98 anos.

Rui Cardoso (www.expresso.pt)

O filósofo francês Roger Garaudy morreu ontem em Paris. Nascido em 1913, teve um longo percurso político que o levou dos católicos progressistas à Resistência durante a II Guerra Mundial. Aderiu nessa altura ao Partido Comunista Francês mas nunca cortou os laços com o catolicismo, mantendo uma relação de amizade com outro resistente, o Abade Pierre, fundador do movimento Emaus.

Autor de numerosas obras de reflexão marxista, Roger Garaudy viria a romper com o comunismo ortodoxo em 1968, após a invasão soviética da Checoslováquia que pôs termo à Primavera de Praga. Nessa altura tornou-se numa figura de referência da renovação da esquerda europeia, a par de Jean Paul Sartre.

O seu quadro de referências voltou a mudar drasticamente em 1982, quando se converteu ao islamismo, mudando o seu nome para Ragaa. Aproximou-se da causa palestiniana, tornou-se num feroz detrator da política externa israelita e enveredou pela negação do Holocausto, na linha das posições iranianas.

Isso fez com que o seu livro "Os Mitos Fundadores da Política Israelita" (não publicado em Portugal) fosse proibido em França e que acabasse por ser condenado com pena suspensa em 1998, por violar a lei francesa que considera crime o negacionismo.

Deixou mais de 50 livros publicados, a maioria dos quais durante a sua fase de pensador marxista.