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Morreu o pintor catalão Antoni Tàpies (1923-2012)

Antoni Tàpies  i Puig, marquês de Tàpies, era considerando uma referência da arte abstrata do pós-guerra. O pintor  catalão, autor da série "Celebración de la miel" faleceu hoje aos 88 anos, em Barcelona.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Morreu Antoni Tàpies. Um mês atrás, o pintor catalão ainda estava a trabalhar, mas a doença já não permitiu que participasse numa exposição sobre a sua obra inaugurada recentemente em Madrid. O artista - que sofreu influência de filósofos como Jean-Paul Sartre e Martin Heidegger, de Picasso e Joan Miró e, ainda, do budismo zen-, era um um dos maiores representantes europeus da arte abstrata do pós-guerra. 

A galerista espanhola Elvira González, representante de Antoni Tàpies em Madrid, lamentou hoje a morte do pintor catalão afirmando que mais do que um artista se perdeu "um pensador e intelectual", um "farol muito importante" para a arte contemporânea espanhola.

Tàpies era um dos grandes mestres da arte de vanguarda do séc.XX, tendo sido distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias e o Velásquez.

Opositor ao franquismo

Nascido em Barcelona em 1923, no seio de uma família burguesa, culta e nacionalista,  foi nomeado Marquês de Tápies em 2010, pelo seu contributo às artes plásticas, tendo recebido em 1983 a Medalha de Ouro da Catalunha.

Em 1990, recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias, tendo no mesmo ano inaugurado a sua Fundação Antoni Tàpies, em Barcelona, destinada a divulgar a arte contemporânea.

A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, onde apresentou a série "Celebración de la miel", e a Fundação de Serralves, no Porto, fizeram retrospetivas da sua obra. Em 2010, estiveram patentes exposições suas em Évora e na Régua.

Ainda jovem, Tápies decidiu abandonar o curso de direito dedicando-se ao desenho e à pintura e durante a Guerra Civil trabalhou na Generalitat (Governo Regional da Catalunha).

Desde 1948 esteve unido à revista vanguardista "Dau", trabalhando com artistas como Joan Brossa, Joan Ponç, Modest Cuixart, Joan Josep Tharrats, Arnau Puig e Juan Eduardo Cirlot.

Acaba por conseguir uma bolsa para estudar em Paris e é na capital francesa que, em 1956, realiza a primeira exposição individual, acabando por receber das mãos de Salvador Dalí o Prémio da República de Colômbia na Bienal de Hispanoamérica de  Barcelona.

Em 1960 participou na primeira mostra de nova pintura e escultura espanhola, no Museu de Arte Moderna em Nova Iorque e, posteriormente, numa outra denominada "Antes Picasso, Depois Miró", no Museu Guggenheim.

Conhecido pelo trabalho com novas técnicas de desenho, litografia e colagem, usando novos suportes plásticos, e pela escultura em cimento, bronze ou cerâmica, Tàpies chegava a usar objetos de uso quotidiano na sua arte.

O seu percurso mostra contactos com o surrealismo, a filosofia de Jean Paul Sartre e o realismo social.

Opositor ao franquismo e grande defensor da cultura catalã, Tàpies participou na reunião de 1966 em que se fundou o primeiro sindicato democrático de estudantes. O seu apoio aos movimentos contra o franquismo leva-o à prisão por breves períodos nos anos 60 e 70.

O seu trabalho tem estado nos principais festivais de todo o mundo, incluindo na Bienal de Veneza, e nas principais galerias, entre as quais a Tate Gallery em Londres.

Antoni Tàpies morreu aos 88 anos, em Barcelona, de doença não revelada. Por vontade da família, as cerimónias fúnebres não serão abertas ao público. Posteriormente, será anunciada a realização de uma homenagem pública ao pintor catalão, a ter lugar na sede da Fundação que leva o seu nome.