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Morreu o jornalista José Gabriel Viegas

O jornalista José Gabriel Viegas morreu hoje aos 68 anos. Durante duas décadas foi colaborador do Expresso, no caderno Actual, onde fazia crítica literária de não-ficção.

O jornalista José Gabriel Viegas, que se destacou antes do 25 de abril como jornalista-locutor nas emissões em português da France Inter, no canal internacional da rádio pública francesa, morreu hoje, aos 68 anos, vítima de cancro, disse à Lusa um familiar.

O funeral do jornalista realiza-se domingo no cemitério de Oeiras, sendo esperado o corpo a partir das 16:00 de hoje no Palácio Maçónico, no Bairro Alto, de onde partirá no domingo às 15:00 para o cemitério de Oeiras.

Durante 20 anos, Gabriel Viegas foi crítico do Expresso, no caderno Actual, onde escrevia sobre livros de não ficção. História contemporânea, ciência política e sociologia foram alguns dos temas a que se dedicou.

José Gabriel Viegas, que faleceu no Hospital de Santa Cruz às 5:00 horas, trabalhou, antes de 1974 e enquanto viveu em exílio, na rádio pública francesa que, na altura, concorria com a britânica BBC em popularidade nos meios oposicionistas e anticolonialistas em Portugal e nas suas então colónias africanas.

Depois do 25 de abril, regressou a Portugal onde integrou, logo nos primeiros anos, as redações da RDP e da RTP, tendo depois trabalhado na agência de notícias Anop e nos extintos "Diário de Lisboa", "A Luta" e "O Século".

"Excelente jornalista"

"Conheci-o quando regressámos a Portugal porque ele trabalhava para a France Inter e eu para a BBC", lembrou o jornalista António Borga, adiantando que, mais tarde, trabalharam juntos na RTP, "talvez um ano", tendo ficado amigos.

António Borga recorda José Gabriel Viegas como "uma pessoa extremamente culta" e "um excelente jornalista".

Também Eugénio Alves recorda a "grande experiência como jornalista e a grande cultura" de José Gabriel Viegas, com quem trabalhou no Diário de Lisboa.

Júri do Prémio João Carreira Bom

"Quando voltou [de França], tinha uma grande experiência e cultura e era um jornalista de rara qualidade", afirmou, defendendo que "é uma memória privilegiada que se perde na classe".

Uma "perda irreparável" ainda mais notada porque "não se tem acautelado a presença de jornalistas mais velhos nas redações" e José Gabriel Viegas "um profissional sempre atento à valorização profissional dos jornalistas".

José Gabriel Viegas integrou o júri do Prémio Crónica João Carreira Bom em representação da Vodafone - em cujo departamento de comunicação institucional trabalhava - tendo ainda tido um papel político, quando, em 1978, integrou o gabinete do então secretário de Estado da Cultura do II Governo Constitucional, António Reis.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.

Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.

O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.

Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.