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Ministro do Ambiente quer menos administradores nas Águas de Portugal

Mike Sergeant

Extinguir empresas e cargos de chefia das Águas de Portugal é a intenção de Moreira da Silva para completar a reestruturação do sector.

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Há já quase três anos que se aguarda pela concretização da anunciada reestruturação territorial dos sistemas multimunicipais, geridos maioritariamente pelo grupo Águas de Portugal (AdP). A ideia é passar dos atuais 19 sistemas para quatro a seis. Por agora o ministro do Ambiente não quer revelar o modelo final.

"É preciso ir mais longe" na reorganização do sector das águas, justifica. E Moreira da Silva pretende fazê-lo em simultâneo com "uma reorganização corporativa" da holding. Esta resultará "fundindo empresas, extinguindo outras, reduzindo de forma significativa o número de administradores, diretores e coordenadores, assim como custos operacionais e alguns consumos intermédios".

A intenção foi esta quarta-feira anunciada num almoço debate organizado pela Associação das Empresas Portuguesas para o sector do Ambiente (AEPSA), em Lisboa, e aplaudida pela maioria dos presentes. Entre eles o presidente, da AEPSA, Diogo Faria de Oliveira, que lembrou estarem presentes neste encontro cerca de 60 entidades públicas e privadas que "representam quase todo o PIB do ambiente em Portugal", "um negócioa anual de €1500 milhões".

Moreira da Silva aguarda agora que a administração da holding lhe apresente uma proposta e espera ter os objetivos quantificados dentro de duas semanas. A ideia "tem dominado as reuniões com o grupo AdP há vários meses".

Por detrás desta intenção está também a necessidade de apaziguar os municípios que estavam contra as propostas de fusões dos sistemas em alta. "É uma forma de demonstrar aos municípios que não queremos apenas harmonizar tarifas e maximizar economias de escala e queremos ir mais longe reduzindo custos na AdP, porque será essencial para redução de tarifas", admite Moreira da Silva.

O ministro que celebra esta quinta-feira um ano à frente da pasta do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia volta a sublinhar que "o Governo não pretende privatizar o sector das águas".

Já a privatização do sector dos resíduos segue o seu curso, com vários percalços pelo caminho. Entre os últimos está a ameaça do município de Lisboa que diz que inviabilizará a decisão do privado que vier a ficar com a Valorsul - a joia da coroa da Empresa Geral de Fomento (EGF).

Outro dos espinhos neste processo é a noticiada desistência de alguns dos concorrentes. A uma semana da entrega das propostas vinculativas para a privatização da EGF, Moreira da Silva recusa tecer comentários sobre o desinteresse de potenciais candidatos. "Este não é o momento de o Governo se pronunciar sobre a privatização", argumenta. Só o fará depois de 31 de julho. Mas reafirma "confiança neste processo".

Questionado sobre a viabilidade da concretização das propostas da Reforma da Fiscalidade Verde, o ministro também se escusa a comentários. "Temos de deixar a discussão pública correr livremente", diz. A partir de 15 de setembro, o Governo apresentará as suas propostas.