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Miguel Seabra vence Grande Prémio BIAL

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Miguel Seabra, presidente da FCT, é o vencedor do Prémio Bial

D.R.

O presidente demissionário da Fundação para a Ciência e Tecnologia recebe esta quarta-feira, em Coimbra, o Prémio BIAL 2014 no valor de 200 mil euros. Júri distingue investigação sobre doença rara da retina, responsável por 4% dos casos de cegueira em todo o mundo.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O trabalho "Da descoberta do gene à terapia genética em 20 anos: o caso da coroideremia uma degeneração hereditária da retina" é o grande vencedor da 17ª edição do Prémio BIAL, escolha que será esta quarta-feira anunciada na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

O médico e cientista Miguel Seabra, reconhecido internacionalmente na área da medicina molecular e celular, descobriu que doentes com coroideremia não têm a proteína REP-1, produzida a partir do gene CHM, cujas mutações causam a cegueira de 4% dos homens em todo o mundo.

A equipa de investigadores do professor catedrático da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (e que na terça-feira invocou razões pessoais para deixar o cargo de presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, no auge da polémica em torno do financiamento dos centros de investigação), realizou um ensaio clínico baseado em terapia genética através da injeção nas células da retina dos doentes de um pequeno vírus que transporta o gene CHM.

O vírus produz a proteína REP-1 em falta na células dos pacientes, impedindo o avanço da degeneração da retina.

Efeito curativo generalizado nos próximos anos

Segundo Miguel Seabra, os resultados publicados em 2014 são muito positivos, após vários doentes terem evidenciado melhorias reais na visão. O investigador refere ser expetável que nos próximos cinco anos a terapia genética venha a ser um tratamento curativo generalizado para os doentes com corideremia.

A confirmar-se o prognóstico, esta doença genética será uma das primeiras a nível mundial a poder ser tratada de forma curativa e não apenas sintomática, abrindo caminho para a cura de outras patologias genéticas do foro ocular.

A equipa de investigadores de Miguel Seabra é composta pelas investigadoras Tatiana Tolmacheva, Sara Maia e Cristina Pires e irá receber um prémio no valor de 200 mil euros.

Miguel Seabra, de 52 anos, presidia à FCT desde 2012, e ainda à Science Europe, sendo um dos cientistas portugueses mais citados na área da medicina molecular e celilar. É ainda representante nacional no European Research Area e chefe da delegação nacional no conselho da European Space Agency.

Licenciou-se em Medicina em 1986 pela faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e em 1992 completou o doutoramento em Bioquímica e biologia Molecular no Southwestern Medical Center da Universidade do Texas.

Foi professor catedrático e diretor da Secção de Medicina Celular e Molecular do Imperail College of London até 2007, ano em que se tornou professor catedrático convidado da Faculdade de Ciências da universidade Nova de Lisboa.

BIAL distribui 320 mil euros

O Pémio BIAL é uma das maiores distinções na área da saúde da Europa, galardoando trabalhos de investigação básica e clínica. Atribui, de dois em dois anos, 320 mil euros aos vencedores.

Além dos 200 mil euros do Grande Prémio, serão ainda entregues esta quarta-feira 100 mil euros a Jorge Polónia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, pelo trabalho "Efeitos do sal nas doenças cardiovasculares e impacto das políticas de saúde em 10 anos", desenvolvido em conjunto com os médicos Luís Martins, Jorge Cotter, Fernando Pinto e José Nazaré.

A Fundação Bial, presidida por Luís Portela, vai distinguir ainda outras duas investigações com menções honrosas, no valor de 10 mil euros cada. Uma na área das lesões cerebrais - "Beyond glutamade antagonists: new therapeutic strategy against glutamate excitotoxicity based on blood glutamate grabbing" - e que tem por investigadores José castillo, Francisco Campos e Tomas Sobrino do Laboratório de Investigação em Neurociências Clínicas do Hospital Universitário de Santiago de Compostela.

A segunda menção honrosa vai para o trabalho "Embolização das artérais prostáticas no alívio dos sintomas do tato urinário inferior em doentes com hiperplasia benigna da próstata", da autoria de Tiago Bilhim, professor de Radiologia na faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e radiologista no Centro Hospitalar de Lisboa Central e de João Bexiga Pisco, professor jubilado da faculdade de Ciências Médicas da Nova de Lisboa.

O júri dos prémios BIAL é presidido por Catarina Resende de Oliveira, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e conta com sete vogais , entre os quais o colega de faculdade e cirurgião Manuel Antunes. 

A cerimónia da condecoração, com início às 11h, será presidida pelo Presidente da República, após a sessão científica de apresentação dos trabalhos, a decorrer a partir das 9h30.