Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Meco. Um ano depois, poucas respostas e nenhuma decisão

FOTO REUTERS

Só no início de 2015 é que o Tribunal da Relação de Évora dará ou não razão aos familiares das vítimas do Meco, que não querem o atual juiz de instrução.

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Durante a tarde desta segunda-feira, os familiares dos seis estudantes da Universidade Lusófona prestam-lhes uma homenagem na mesma praia onde os jovens morreram afogados. Mas um ano depois da tragédia, ainda há poucas respostas sobre este caso, um dos mais mediáticos de 2014.

No início de novembro, quando faltavam poucos dias para o início do debate instrutório, marcado para dia 20 desse mês, Vítor Parente Alves, o advogado das famílias, suscitou um incidente de recusa do juiz de instrução do processo, Nélson Escórcio, alegando proximidade entre este magistrado e Moreira da Silva, o procurador do Ministério Público de Almada que arquivou o inquérito. E o caso voltou a ficar parado.

O Expresso sabe que a Relação de Évora está ainda a analisar o processo levantado por Parente Ribeiro. "Só deve haver novidades em janeiro de 2015. Como não é considerado um caso urgente, vai atrasar-se por causa das férias judiciais, que começam dia 22 deste mês e terminam no início de janeiro", revela uma fonte judicial. 

Desta maneira, as conclusões sobre as mortes de Joana Barroso, Ana Catarina Soares, Andreia Revez, Carina Correia, Pedro Tito Negrão e Tiago Campos terão de ser adiadas para o próximo ano. 

O caso está nas mãos do juiz de instrução de Setúbal que em outubro deu sinais de não pretender levá-lo a julgamento como pretendem as famílias, defendendo a investigação conduzida pelo Ministério Público de Almada. Se a Relação de Évora não der razão aos argumentos usados por Parente Ribeiro, será mesmo Nélson Escórcio que conduzirá o processo até ao fim.

Entre dezembro de 2013 e julho deste ano, os investigadores do caso inquiriram cerca de cem pessoas e realizaram centenas de perícias, apreensões, exames toxicológicos e demoradas reconstituições no areal da praia do Meco. O único sobrevivente, o 'dux' João Gouveia, foi interrogado por três vezes. No final de julho, o procurador Moreira da Silva decidiu arquivar o caso por considerar que não houve indícios de crime ou coação psicológica nesta praia de Sesimbra, na madrugada de 15 de dezembro de 2013. 

Para Vítor Parente Ribeiro, o caso tem sido "condicionado" por vários fatores, salientando a "incompetência dos vários elementos processuais". Paula Brum, a advogada de João Gouveia, não fez comentários sobre o processo ao Expresso, tal como o seu cliente, que se recusou a prestar qualquer depoimento.