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Meco. João Cutileiro inaugura memorial às vítimas

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Escultor João Cutileiro foi esta quarta-feira à praia do Meco para a montagem do memorial que criou em homenagem aos seis estudantes que aí morreram em dezembro de 2013.

Expresso (texto) Ana Baião (fotos)

Ana Catarina, Andreia, Carina, Joana, Pedro e Tiago. A partir desta quarta-feira, estes nomes ficam esculpidos para sempre na praia do Meco, no mármore branco da peça memorial criada por João Cutileiro para honrar os estudantes que aí perderam a vida na madrugada de 15 de dezembro de 2013. João Cutileiro confessa que decidiu projetar o memorial simplesmente porque, se não o fizesse, se sentiria "criminoso".

A obra é composta por dois grandes blocos de pedra - um de mármore de Estremoz e outro de calcário de Fátima - que formam um conjunto em forma de cruz, com os nomes dos estudantes desaparecidos esculpidos na parte oposta à do mar.  

Um marco. O memorial tem inscritos os nomes dos estudantes desaparecidos

Um marco. O memorial tem inscritos os nomes dos estudantes desaparecidos

"Está a fazer um ano que os pais dos estudantes vieram bater-me à porta" com o pedido, recorda mestre Cutileiro, confessando que quando recebeu o primeiro telefonema pensou em recusá-lo. Mas mudou de opinião quando viu os pais dos jovens na sua casa: "O estado em que eles vieram ter comigo... Se não aceitasse, o criminoso era eu." João Cutileiro diz ter reconhecido a sua dor, pois tinha visto os seus próprios pais a passar pelo mesmo, com a morte de um dos seus irmãos. "Muda completamente a vida", acrescentou.

João Cutileiro decidiu então oferecer o projeto do memorial aos pais dos estudantes. "Os pais somente pagaram o material", explica, dizendo-se surpreendido com a colaboração da Câmara Municipal de Sesimbra, que ficou com os encargos do transporte da obra.

Inicialmente, previa-se que tudo estivesse concluído a tempo do primeiro aniversário da tragédia, a 15 de dezembro, mas "a burocracia em Portugal é muito lenta", desabafou Cutileiro.  

Missão cumprida. O escultor depois de terminada a montagem da sua obra

Missão cumprida. O escultor depois de terminada a montagem da sua obra

Um marco no alto da praia Ainda hoje não se sabe bem o que aconteceu na noite da tragédia, mas uma coisa é certa: um estudante sobreviveu e seis perderam a vida. O único sobrevivente foi constituído arguido, por suspeita de "abandono e exposição", tendo sido ilibado a 4 de março deste ano, quando o juiz Nélson Escórcio arquivou o processo, por falta de provas. Os familiares das vítimas não concordam com a decisão e, segundo o advogado Vítor Parente Ribeiro, vão recorrer ao Tribunal da Relação.

Independentemente dos tribunais, o memorial ficará a partir desta quarta-feira "para sempre" no alto da praia, bem visível a quem passa naquela zona. Mas os nomes dos estudantes mortos, esses estão de costas para o mar, tal como se julga que estavam os seis jovens quando foram levados pelas ondas, na fria noite de 15 de dezembro de 2013.