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Marques Mendes. "Sócrates e Salgado são almas gémeas"

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Depois de considerar que o caso da lista VIP de contribuintes deixa mal vistos a todos os intervenientes, o comentador da SIC falou do ex-primeiro-ministro e também de Ricado Salgado, que disse serem semelhantes "Na atitude e no discurso".

"Ninguém sai bem nesta fotografia", considerou esta noite Luís Marques Mendes, comentando o caso da lista VIP de contribuintes: "Se o diretor-geral da Autoridade Tributária e Aduaneira escondeu informação relevante à tutela; Paulo Núncio [o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais] não sabia o que se passava na sua casa; Passos Coelho transmitiu informação errada, e o sindicato dos Trabalhadores dos Impostos não foi capaz, até agora, de condenar os funcionários que acedem indevidamente aos dados dos contribuintes".

Na sua habitual análise aos acontecimentos da semana, na SIC, Marques Mendes acrescentou que "o próprio líder do PS, ao pedir o envio do caso para a Procuradoria Geral da República" acaba por poder vir a gerar "mais perturbação". Quanto à ministra das Finanças, o comentador condenou e confessou "não perceber" o seu "silêncio ensurdecedor" em relação ao tema.

Ainda numa referência a Paulo Núncio, cuja autoridade política considera ter "ficado diminuída", o Marques Mendes acredita que ao secretário de Estado resta, "apresentar rapidamente um plano de ação, para criar um sistema de alerta, mas que proteja todos os contribuintes e permita recuperar a confiança na Administração Fiscal".

Sobre a presença de Ricardo Salgado no parlamento, o comentador da SIC considerou errada a sua persistência "em não pedir desculpa", comparando o banqueiro "na atitude e no discurso", a José Sócrates.

"São almas gémeas", acrescentou, referindo o que classificou de "arrogância" comum aos dois, pelo facto de "nunca reconhecerem um erro" e "atribuirem as culpas" a algo exterior, seja "ao Banco de Portugal", no caso de Salgado e a crise no BES, seja à "rejeição do PEC4", como aconteceu com o ex-primeiro-ministro, antes da chegada da troika a Portugal.

LuÍs Marques Mendes comentou ainda as "duas derrotas" de Sócrates na semana que passou, em relação ao pedido de habeas corpus e em relção ao recurso apreciado pelo Tribunal da Relação, cujo acordão, afirmou o comentador, "tem duas frases mortíferas".

Ao questionar a origem do seu património, "por não lhe serem reconhecidas outras fontes de rendimento além das que resultaram do seu cargo de primeiro-ministro e, antes, pela passagem pelo ministério do Ambiente", disse Marques Mendes, e quando é usada a expressão "quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem", o acordão significa que Sócrates "perdeu muito": "Queria mostrar que o seu era um caso político e, afinal, parece é que mesmo um caso de polícia", concluiu o comentador.