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Mariano Gago, referência de uma geração

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FOTO TIAGO MIRANDA

A morte de Mariano Gago deixa a ciência portuguesa mais pobre e cria um vazio difícil de preencher.

José Mariano Gago, desaparecido esta sexta-feira, foi uma das figuras de referência da geração que passou pelas universidades portuguesas no final da década de 60. Eleito presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico em 1969/70, destacou-se na luta estudantil contra a ditadura, o que não impediu que fosse um dos melhores alunos da escola.

Sabedor de que a PIDE o procurava, partiu para o exílio em França, donde só regressaria após o 25 de Abril. Tinha entretanto começado uma sólida carreira de investigador na área da física das partículas, trabalhando no CERN, laboratório europeu de referência nesta área.

Esse contacto com o melhor da ciência produzida na Europa levou-o a perceber a necessidade de Portugal recuperar décadas de atraso nesta área. Para isso só havia um caminho: aumentar o investimento na ciência, promover a ida para o estrangeiro de bolsistas e doutorandos e trazer para as universidades e centros de pesquisa investigadores de plano mundial, muitos dos quais portugueses a trabalhar no estrangeiro.

Primeiro como presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, depois como ministro da Ciência nos Governos de Guterres e de Sócrates, apostou a fundo nessa política, hoje posta em causa por visões economicistas, utilitaristas e de curto prazo. Defendeu, em paralelo, a importância da divulgação científica e do aumento da cultura científica dos portugueses, apostando na rede de museus Ciência Viva.

Com o seu desaparecimento, o país fica mais pobre mas o seu exemplo não será esquecido.