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"Mariano Gago foi um resistente à ditadura que mudou o paradigma da ciência em Portugal"

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FOTO Marcos Borga

O líder dos Socialistas, António Costa, destacou Mariano Gago como um homem "visionário", que colocou no centro da ambição política a sociedade do conhecimento e teve uma preocupação "incansável" com a democratização da cultura científica.

O secretário-geral do PS afirmou esta sexta-feira que a morte de Mariano Gago constitui a perda de um resistente contra a ditadura, de "grande cientista" e de um governante "exemplar" que mudou o paradigma da ciência em Portugal. 

Mariano Gago, antigo ministro da Ciência e do Ensino Superior, morreu esta sexta-feira em sua casa, e a sua morte levou o PS a colocar a sua bandeira a meia haste em sinal de luto.

Numa declaração na sede nacional do PS, António Costa prestou homenagem em seu nome e do seu partido ao percurso de José Mariano Gago, destacando-o "enquanto dirigente académico como um resistente na luta contra a ditadura".

"Quero prestar homenagem ao grande cientista, ao visionário que em 1990 publicou uma obra fundamental - 'O manifesto para a ciência em Portugal' - e ao governante exemplar que, em três ocasiões, nos últimos 20 anos, assumiu a pasta da Ciência e do Ensino Superior. Mariano Gago mudou o paradigma da ciência em Portugal", frisou o líder dos socialistas.

Na sua declaração, António Costa defendeu também que Mariano Gago colocou a ciência no centro das políticas para o desenvolvimento.

José Mariano Gago "colocou no centro da ambição política a sociedade do conhecimento e teve uma preocupação incansável com a democratização da cultura científica, designadamente através do lançamento do programa Ciência Viva. Portugal perdeu hoje um grande servidor, a ciência perdeu hoje um grande cientista, o PS e eu próprio perdemos hoje um grande amigo. Quero prestar à sua mulher e filha as nossas sentidas condolências", afirmou o secretário-geral do PS.

Em comunicado oficial, o PS e o seu secretário-geral manifestaram a sua "profunda consternação" na sequência da morte de José Mariano Gago.

"Para além de eminente cientista, Mariano Gago foi ministro da Ciência, da Tecnologia do XIII e XIV governos constitucionais e ministro da Ciência, da Tecnologia e do Ensino Superior dos XVII e XVIII governos constitucionais, executivos do PS. E é justo que lhe seja creditada na sua atividade como membro do Governo a alteração do paradigma das políticas públicas de apoio à ciência e tecnologia no nosso país", sustenta-se no comunicado oficial do PS.

Na mesma nota assinada por António Costa, lê-se que Mariano Gago "teve a visão e a coragem política de perceber que a aposta e o investimento nessas áreas constituíam e constituem incontornáveis fatores de progresso e de crescimento para um país".

"Defendeu sempre que o desenvolvimento científico tem a possibilidade de influenciar a visão do futuro, porque convoca necessariamente a sociedade moderna e por isso é uma força democrática. Foi a sua capacidade em ver mais longe e o seu comando político que permitiu que nesse período Portugal tenha alcançado notáveis avanços na área da ciência e da tecnologia, aproximando-se bastante dos níveis de referência num trabalho reconhecido internacionalmente", refere-se na nota assinada por António Costa.

O PS e o seu secretário-geral frisam ainda no mesmo comunicado que, com Mariano Gago nos governos, "Portugal multiplicou por 17 o número de investigadores, por 32 a produção científica e por 15 (em termos reais) o Produto Interno Bruto em investigação e desenvolvimento".