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Marcelo Rebelo de Sousa. "Esta é uma greve suicida para os pilotos"

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Rui Ochôa

Segundo Marcelo, a greve dos pilotos da TAP, que decorre de 1 a 10 de maio, é "nociva" não só para o país, porque acontece "a dias do fecho das propostas da privatização da TAP", como também para os próprios pilotos.

Helena Bento

Jornalista

"Esta é uma greve suicida para os pilotos", disse esta noite Marcelo Rebelo de Sousa, comentando a greve dos pilotos da TAP que decorre de 1 a 10 de maio.

Segundo Marcelo, que falava no seu comentário habitual na TVI, a greve é "nociva" não só para o país, porque "acontece a dias do fecho das propostas de privatização da TAP" (dia 15 de maio), como também para os próprios pilotos. 

Se a TAP não for privatizada e houver reestruturação, referiu o comentador, os pilotos podem acabar por ir "para a rua", bem como outros funcionários. "Toda a gente está contra a greve, da esquerda à direita, só os pilotos [que reclamam o cumprimento de um acordo assinado em dezembro de 2014 e outro estabelecido em 1999], é que estão a favor".

Em relação ao Programa de Estabilidade apresentado esta semana por Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, Marcelo salientou a importância do documento, considerando que por se tratar do plano eleitoral da coligação, embora não sendo "excessivamente eleitoralista", deve ser levado "a sério". "É um passo em frente em relação às ações pretéritas do Governo", afirmou o comentador, reconhecendo que o documento apresenta algumas debilidades em termos de matéria social, e pontos a favor em termos de matéria fiscal. 

Sobre o relatório preliminar da Comissão de Inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), Marcelo disse que há no relatório "matéria para ajudar a resolver o assunto" e que se espera que as recomendações "tenham consequências", tanto ao nível da "transparência", como em termos de "distribuição de poder dentro dos grupos". 

O comentador elogiou ainda a comissão, considerando-a um "exemplo positivo daquilo que pode e deve ser uma comissão parlamentar de inquérito", isto é, "não partidária" e "procurando consenso". 

"Nunca tive especial empatia com ele, e discordei dele em vários pontos, mas tenho uma homenagem a fazer", disse Marcelo, referindo-se a Mariano Gago, que morreu esta sexta-feira vítima de cancro. "Era um homem excecional, muito culto, e foi um governante excecional". "Em muitos anos de democracia, foi o único governante que teve uma política para a ciência e uma visão para o ensino superior", referiu.

Comentando a notícia recente do desaparecimento de 700 imigrantes, depois de a traineira em que seguiam ter naufragado no Mediterrâneo, Marcelo disse "a Europa tem que pensar a sério o que quer e o que deve fazer", classificando a tragédia de "retrocesso civilizacional". "É preciso encontrar uma solução" para o problema da crise da imigração, acrescentou o comentador, porque "assistir impotentes à morte de 700 pessoas não é solução".