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Mais de metade dos trabalhadores não tem o 12.º ano

O retrato de Portugal na Europa mostra que estamos no último lugar em alguns indicadores. Habilitações dos trabalhadores e índice de fecundidade são exemplos. Risco de pobreza está ainda acima da média europeia.

Há três indicadores em que Portugal se destaca por ficar em último lugar entre os 28 países da União Europeia: a percentagem de trabalhadores que não tem ensino secundário, o reduzido número de filhos por mulher e a proporção de gastos com saúde que os portugueses têm no total das suas despesas. 

O Retrato de Portugal na Europa, feito com base em indicadores estatísticos selecionados pela Pordata, mostra qual a posição atual do país.

Um dos indicadores em que Portugal fica na pior posição é quando se analisa as habilitações dos trabalhadores. Somos o país em que há mais pessoas empregadas sem terem concluído o ensino secundário. Entre os que trabalham por conta própria, 70% não têm o 12.º ano e o mesmo acontece com metade dos que trabalham por conta de outrem.

São também os portugueses que apresentam mais gastos em saúde. No total das despesas pessoais, 5,8% são com saúde. Na posição oposta à de Portugal fica o Reino Unido, onde se gasta menos (1,6%).

Os portugueses também ocupam a última posição quanto ao número médio de filhos por mulher. Eram 1,28 em 2012, contra 2,01 em França. A tendência de queda tem sido contínua: em 1960, as mulheres portuguesas tinham em média 3,16 filhos, descendo para 1,56 em 1990.

Apesar de a quebra da fecundidade ser acentuada, há outros países em que foi mais. A diferença, explica Vanessa Cunha, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, está no facto de esses países terem passado por esta fase mais cedo. Ou seja, na origem da baixa fecundidade esteve o adiamento da idade de ter o primeiro filho. Em países como Portugal essa quebra continua a ter impacto, "enquanto noutros já houve uma estabilização da idade".

Emigração e adiamento do primeiro filho

O que também distingue a posição de Portugal é o facto de o país estar a perder população jovem em idade para ter filhos. "São os portugueses que saem, os imigrantes que regressam aos seus países e os estrangeiros que já não entram", diz Vanessa Cunha.

A acompanhar a tendência está também a população envelhecida (somos o sexto país mais envelhecido da UE).  Esses fatores mostram, na opinião do economista e professor da Nova School of Business and Economics José Tavares a proximidade que Portugal foi ganhando em relação aos "países mais ricos" da UE, ao longo do processo de integração europeia, embora se mantenha entre esses dois mundos.

A possibilidade de emigrar é um reflexo dessa proximidade, considera José Tavares, assim como o facto de termos "taxas de fertilidade assustadoramente baixas e uma população envelhecida, como os países mais ricos". 

Entre os ricos e os pobres

Outros indicadores, como as desigualdades salariais, mostram uma evolução positiva, embora continuemos a ter a sexta maior diferença entre os rendimentos dos mais ricos e dos mais pobres. Também o risco de pobreza dos portugueses está ainda acima da média europeia: 18 em 100 pessoas vivem em risco de pobreza, contra 22 na Grécia e 10 na República Checa. 

Portugal consegue também estar numa posição melhor que a média europeia quando se fala das pessoas que não conseguem assegurar o pagamento de despesas inesperadas. É esse o caso em que 36% dos portugueses se encontram, contra 40,2% dos europeus.

Já quando se fala em despesas públicas, ficamos longe dos gastos que países como a Finlândia têm com investigação e desenvolvimento. Enquanto em Portugal o investimento corresponde a 1,5% do PIB, na Finlândia é de 3,6%.