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Maioria dos portugueses desvaloriza formação ao longo da vida

Inquérito do INE revela que apenas 31% dos adultos participaram nalguma acção de aprendizagem formal ou não formal em 2007.

Isabel Leiria (www.expresso.pt)

A maioria dos adultos entre os 18 e os 64 anos não participou, em 2007, em qualquer actividade de educação, formal ou não formal. E quem o fez foram sobretudo os jovens, os mais escolarizados, empregados e com mais rendimentos, ou seja, os que, à partida, necessitariam menos.

As conclusões constam de um inquérito à Educação e Formação de Adultos lançado pelo Instituto Nacional de Estatística a uma amostra representativa de 11 mil indivíduos. E revelam que 4,6 milhões de adultos, o que equivalente a 69% da população total, não participaram em actividades que consubstanciam a chamada aprendizagem ao longo da vida.

A percentagem só melhora se à educação formal e não formal forem juntadas as acções informais, ou seja, as actividades que decorrem da vida diária de cada indivíduos, numa base de auto-aprendizagem. Se se tiver em conta estes três dimensões, então é possível dizer-se que metade dos adultos participaram em pelo menos uma actividade de aprendizagem, em 2007.

Formação extra-trabalho e paga pelos próprios

A quase totalidade do grupo que não o fez é composto por pessoas que não se envolveram nem quiseram envolver-se em acções de formação. As razões são variadas mas assentam sobretudo em três motivos: 37% dos inquiridos considera a formação "desnecessária para o trabalho", 33% invocou "falta de tempo devido a responsabilidades familiares" e 29% entende que é "desnecessária a nível pessoal".

Seguem-se razões ligadas à idade (quanto maior a idade, menor a participação) e à falta de confiança/segurança quanto à ideia de "voltar à escola", esta última referida por um quinto dos inquiridos que não estiveram envolvidos em acções de formação.

Apesar destas barreiras, o estudo do INE mostra que a aprendizagem ao longo da vida tem consequências positivas tanto na transição do desemprego para o emprego como no rendimento dos trabalhadores. A educação formal, que resulta no aumento do grau de escolaridade, é a que tem maior impacto a este nível.

Quanto aos que se envolveram em acções de formação, o inquérito conclui que as actividades decorreram sobretudo fora do horário de trabalho e que foram pagas à custa dos próprios. O papel da entidade empregadora faz-se sentir sobretudo ao nível da promoção das acções.