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Maioria dos comboios para até esta terça-feira

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Fernando Negreira

O último de quatro dias de greve dos trabalhadores da CP tem lugar esta segunda-feira. Os atrasos e supressões de comboios programados devem prolongar-se até terça-feira de manhã.

"A adesão, hoje, é superior à de quinta-feira. Até às 8h só se realizaram dois comboios de longo curso", afirmou Luís Bravo, do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial e Itinerante, considerando tratar-se de "uma clara demonstração de insatisfação" por parte dos trabalhadores do setor comercial da empresa, em que se incluem os funcionários das bilheteiras e os revisores.

De acordo com o sindicato, não há registo de qualquer comboio urbano a circular, "por opção da empresa".

"Não tendo funcionários, optou por fazer uma ligação de Alfa-Pendular, o comboio das elites, em vez de fazer os comboios regionais, que serviriam muito mais pessoas", declarou o dirigente sindical.

Cerca de 95% das bilheteiras da CP estão encerradas esta segunda-feira, devido à greve dos trabalhadores do setor comercial da empresa, que inclui também os revisores, disse à agência Lusa fonte sindical.

Apenas quatro dos 63 comboios programados circularam entre as 00h e as 6h , disse à agência Lusa uma fonte da empresa.

A previsão é de que entre 80% a 90% dos comboios programados sejam suprimidos ao longo do dia. 

No domingo, a  greve dos trabalhadores da CP deixou parados 704 dos 785 comboios que deviam circular, ou seja 90% do total.

As ligações regionais, sem comboios durante todo o dia, foram fortemente penalizadas, bem como os serviços urbanos de Lisboa e do Porto.

Na capital, circularam 40 dos 319 comboios previstos e no Porto apenas seis de um total de 152.

Nas viagens de longo curso, efectuaram-se sete ligações Alfa e 23 InterCidades, ou seja, metade dos 60 comboios programados.

CP condenada a restituir complementos 

Os revisores CP agendaram uma greve de quatro dias (2, 3, 5 e 6 de abril) para reclamar o cumprimento da decisão dos tribunais relativa ao pagamento dos complementos nos subsídios desde 1996.

A esta paralisação juntou-se a greve ao trabalho em dia feriado convocada pela Fectrans (Federação do Sindicato dos Transportes e Comunicações) na passada sexta-feira Santa e no domingo de Páscoa.

De acordo com a CP, as perturbações na circulação de comboios vão ser agravadas pela recusa da fixação de serviços mínimos pelo Tribunal Arbitral, nomeado pelo Conselho Económico e Social.

Na sequência das greves, a circulação ferroviária está a ser afetada desde quinta-feira, devendo os atrasos e supressões prolongar-se até terça-feira, 7 de abril, de manhã.

O presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), Luís Bravo, explicou à Lusa na quarta-feira que a CP foi condenada, em várias instâncias, a restituir os complementos que não foram pagos aos trabalhadores no subsídio de férias desde 1996 e no subsídio de Natal entre 1996 e 2003, estimando uma dívida de cerca de dez milhões de euros aos revisores e trabalhadores das bilheteiras.

Sem possibilidade de recurso, a CP e os representantes dos trabalhadores sentaram-se à mesa para chegar a uma acordo "para a empresa pagar essa dívida de forma gradual" e, em reunião a 18 de março, os representantes do SFRCI foram informados de que a proposta de acordo ainda não tinha sido enviada à tutela, o Ministério da Economia.

"Nesse mesmo dia, decidimos quebrar a paz social, no período da Páscoa, com dois dias de greve, porque nestes nove meses de negociação, a administração criou a legítima expectativa de que os trabalhadores iriam ser ressarcidos e pensávamos que a empresa estava a proceder de boa-fé", explicou à Lusa Luís Bravo, acrescentando que "o sindicato tentou tudo para evitar esta greve".