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Luís Portela. "Problemas orçamentais dos avanços clínicos são um mal necessário"

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O trabalho de Miguel Seabra abrirá caminho "para investigações futuras no campo da visão", acredita Luís Portela

Lucília Monteiro

Luís Portela afirma que trabalhos de investigação premiados pela Bial serão de grande utilidade para a humanidade em termos de saúde pública.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O presidente da Fundação Bial vai premiar com um total de 320 mil euros, esta quarta-feira, em Coimbra, quatro trabalhos de investigação na área da saúde. Os grandes vencedores, entre os quais se destaca o cientista e médico Miguel Seabra, são portugueses, mas Luís Portela faz questão de realçar que "a ciência não tem fronteiras".

"Já distinguimos em edições anteriores investigadores estrangeiros, este ano são portugueses, mas os benefícios do avanço científico são para servir a humanidade", observou ao Expresso Luís Portela, antes da cerimónia da entrega dos prémios, presidida pelo Presidente da Republica.

Luís Portela não tem dúvidas que a descoberta e qualidade do trabalho de Miguel Seabra irá ter um grande impacto na cura da cegueira em pacientes portadores de uma doença genética rara da retina, mas sobretudo porque "permite abrir caminho para investigações futuras no campo da visão".

Para o líder da Bial, o trabalho de Jorge Polónia - que confirma o elevado consumo de sal e os riscos cardiovasculares deste excesso em Portugal - terá "a maior das utilidades em termos de saúde pública", referindo que a população já está a beneficiar das ações implementadas por Jorge Polónia, ao moderar a sua relação com o sal.

Luís Portela adiantou ao Expresso que o sucesso do trabalho da equipa do professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, distinguido com o Prémio BIAL de Medicina Clínica 2014, está a ser reproduzido na Hungria, país que adotou um plano de combate ao consumo exagerado de sal semelhante ao português e que será replicado noutros países.

Os trabalhos premiados com menções honrosas - um na área das lesões cerebrais resultantes de acidente vascular cerebral ou de doenças neurológicas, como o alzheimer ou a esclerose lateral amiotrófica, outro no tratamento do tumor benigno da próstata e que afeta mais de 50% dos homens com mais de 60 anos -, representam para Luís Portela uma grande mais valia na melhoria da qualidade de vida dos doentes.

Questionado sobre se os avanços científicos da medicina clínica e a sua implementação no terreno são comportáveis para o Sistema Nacional de Saúde, o presidente da Fundação Bial sustenta que "os problemas orçamentais são um mal necessário", cabendo às entidades de saúde e empresas farmacêuticas acomodar os custos daí decorrentes a cada sistema de saúde.

"Ao longo do último século, os benefícios da inovação na área da saúde permitiram que a esperança de vida duplicasse à nascença, o que diz bem da importância da investigação para a humanidade", frisa Luís Portela.