Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Lisboa quer mais metro e autocarros rápidos

  • 333

Câmara defende metro do Cais do Sodré ao Rato e uma rede de autocarros rápidos a circular em "canal próprio".

João Garcia (texto) Sofia Miguel Rosa (infografia)

Depois de o Governo ter posto a concurso a privatização das concessões da Carris e do Metro, a Câmara vem agora apresentar novas soluções para tentar demonstrar que é errada a solução encontrada pela secretaria de Estado que tutela os transportes. "O atual sistema funciona mal, é caro, e a rede está desajustada, como prova o facto de os transportes coletivos na cidade terem vindo a perder passageiros nos últimos anos", diz ao Expresso o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado.

Em contraponto à rede atual, aos serviços da autarquia defendem a criação de uma rede "Metrobus" que, através de circulações rápidas, atravessem a cidade e cruzem as linhas de Metro e de comboio, permitindo a articulação entre os meios de transporte. Estas carreiras garantiriam ainda ligações expeditas entre os principais polos da cidade (por exemplo: Parque das Nações-Colombo, Alcântara - Av. de Berna- Av. Infante D. Henrique ou entra zona oriental e a ocidental através da beira-rio). 

Esta rede seria completada por novas circulações dentro dos núcleos urbanos, a que chamaram "rede de bairro", e que têm por objetivo facilitar as ligações entre escolas, centros de saúde, zonas comerciais e outros pontos geradores de tráfego local.

O plano para o Metro seria, para já, ligar as linhas Verde e Amarela, entre o Cais do Sodré e o Rato, servindo Santos, S. Bento e Estrela.

Como não foi este sistema que o Governo pôs a concurso para os próximos oito anos,  o município decidiu tornar público o seu projeto. Recorde-se que a autarquia decidiu recorrer aos tribunais para tentar anular a atribuição das concessões da Carris e do Metro, alegando falta de capacidade legal do Governo para dispor de um direito da cidade.

As propostas das redes Metrobus e de bairro e a nova linha de metro inserem-se nesta estratégia de tentar reverter a decisão do executivo.

Segundo Manuel Salgado, a criação de "canais exclusivos para autocarros" fechados a quaisquer outros transportes são uma solução que facilitará a circulação na cidade e devolverá competitividade aos transportes coletivos, permitindo que os de superfície e os subterrâneos funcionem de forma articulada e não concorrencial. Ao nível dos bairros, o objetivo é "racionalizar os percursos".

A Câmara "ficou impedida de concorrer por razões ideológicas e o que foi posto a concurso não serve a cidade", assegura o vereador do Urbanismo, "tanto mais que o critério de adjudicação das concessões será o preço e não a qualidade do serviço".