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Lisboa, Porto e Cascais fora da corrida a Capital Verde da Europa 2017

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Lisboa é uma das cidades que perdeu a corrida

FOTO NUNO BOTELHO

Iniciativa distingue quem está "na vanguarda de um modo de vida urbano respeitador do ambiente". O concurso e a eleição decorrem dois anos antes de as cidades assumirem o prémio.

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Lisboa foi das três cidades portuguesas concorrentes a que mais se aproximou do grupo de cidades finalistas candidatas ao prémio Capital Verde da Europa 2017. A capital portuguesa ficou em quinto lugar, enquanto Cascais e Porto ocupam respetivamente o 9º e o 10º lugares, entre 12 concorrentes. As quatro finalistas da "short list" são Essen (Alemanha), Hertogenbosch (Holanda), Nijmegen (Holanda) e Umeå (Suécia). 

"Apesar de termos ficado em quinto lugar, há um reconhecimento da evolução positiva de Lisboa em vários dos parâmetros analisados", afirma José Sá Fernandes, vereador da Estrutura Verde e Energia da Câmara de Lisboa. E sublinha: "A participação em si neste concurso já é em si um bom resultado, e vamos continuar a concorrer e a monitorizar os nossos progressos".

O júri do European Green Capital destaca o trabalho feito na mobilidade suave e elétrica, com o aumento de ciclovias e a redução da frota da autarquia e a substituição por veículos elétricos. Nos restantes indicadores, como espaços verdes, poluição atmosférica ou ruído, Lisboa fica "quase sempre a meio da tabela".

Mas a capital alfacinha não desiste e vai candidatar-se à próxima edição, que começa a 3 de junho. "O mayor de Bristol, que foi eleita a Capital Verde de 2015, disse-me que a sua cidade concorreu cinco vezes antes de ganhar", conta Sá Fernandes.

As três cidades portuguesas estrearam-se em 2014 na corrida a este galardão que reconhece quem está "na vanguarda de um modo de vida urbano respeitador do ambiente".

Fonte do Secretariado do European Green Capital avisara, em declarações ao Expresso em novembro, que a corrida ia "ser dura", uma vez que três dos concorrentes já estavam entre os finalistas no concurso anterior, e "aqueles que se voltam a candidatar normalmente têm vantagem sobre os novatos".

As outras concorrentes a Capital Verde 2017 que ficaram fora de competição são Bursa (Turquia), Cork (Irlanda), Istambul (Turquia), Lahti (Finlândia), Nimega (Holanda) e Pécs (Hungria).

O júri internacional avaliará o empenho e as iniciativas de cada uma para melhorar o ambiente e quais as suas ambições para servir de modelo a outras cidades europeias. A vencedora - "que aumentará a sua visibilidade e melhorará a fama como local a visitar, para trabalhar e viver" - só será conhecida em junho, numa cerimónia que se realizará em Bristol (Capital Verde 2015), no Reino Unido.

 

HISTÓRIA

O galardão Capital Verde da Europa surgiu em 2006 numa reunião de vários autarcas europeus, em Taline, na Estónia, que decidiram criar um prémio para cidades com uma visão ecológica. A primeira a ser agraciada foi Estocolmo (Suécia), em 2010, seguida de Hamburgo (Alemanha), Vitoria-Gasteiz (Espanha), Nantes (França), Copenhaga (Dinamarca), Bristol (Reino Unido) e Liubliana (Eslovénia), em 2016.

O júri é composto por um painel internacional de peritos, que inclui representantes da Comissão Europeia, Parlamento Europeu, Comité das Regiões, Agência Europeia do Ambiente, Gabinete do Pacto de Autarcas e do Secretariado Europeu do Ambiente. A escolha tem por base 12 indicadores, entre os quais a qualidade do ar, o ruído, a adaptação às alterações climáticas, a eficiência energética; a dimensão e proximidade de zonas verdes urbanas; os transportes locais; a gestão e tratamento da água, das águas residuais e dos resíduos.