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Linces. E já vão seis

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Liberdade em liberdade

CRÉDITOS: Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas

Loro e Liberdade são os novos inquilinos do cercado da Herdade das Romeiras. Foram libertados quarta-feira e deverão ser os últimos linces ibéricos saídos de cativeiro a ser soltos pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas nesta herdade próxima de Mértola. Os próximos irão para outras zonas.

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Loro, um macho espanhol, oriundo do centro de reprodução em cativeiro de El Acebuche, e Liberdade, uma fêmea portuguesa nascida no centro de reprodução de Silves, foram libertados na Herdade das Romeiras, próxima de Mértola. Vão ocupar temporariamente o mesmo cercado que serviu de lar aos outros dois casais anteriormente ali colocados, em dezembro e fevereiro, pelos técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Os outros quatro linces - Jacarandá, Katmandu, Kempo e Kayakwero - também passaram pela chamada "solta branda" antes de lhes abrirem o portão para explorarem a herdade localizada no Parque Natural do Vale do Guadiana. Mas têm continuado por perto, dentro da herdade. Só um deles, Kempo, foi avistado a atravessar uma estrada fora da propriedade privada, em São João dos Caldeireiros, com um coelho pela boca. Mas terá percebido que era mais seguro não se aventurar mais para longe e regressou à herdade.

Todos eles "têm revelado uma adaptação positiva com comportamentos normais", indica o ICNF. São permanentemente seguidos por técnicos e monitorizados através das câmaras espalhadas pelo terreno e através das coleiras emissoras de rádio que têm ao pescoço.

Suspeita-se de que Jacarandá esteja grávida, já que a primeira fêmea libertada acasalou com o companheiro Katmandu. Porém, só dentro de 20 dias se poderá ter a certeza, pois só então, se ela parir, se poderão avistar as crias.

Liberdade, a fêmea libertada esta quarta-feira, é muito nova para acasalamentos, para já. Tem cerca de um ano e o seu nome foi escolhido pela população de Mértola, através de votação aberta em escolas e juntas de freguesia. A única condição imposta pelo ICNF é que o nome tinha de começar pela letra "L", já que tinham nascido na coorte que segue essa letra e deveria ter que ver com uma localidade ou um elemento simbólico ou natural português. Já Loro (inspirado na erva aromática louro) também tem pouco mais de um ano e o seu nome foi escolhido pela equipa espanhola do programa ibérico de conservação do lince-ibérico.

"O projeto resulta de uma estreita articulação entre Portugal e Espanha e da colaboração com parceiros locais", sublinha o ICNF. E garante que este "processo não prevê quaisquer restrições ou limitações às atividades agrícola, florestal, turística ou cinegética".